Ora como eu estava quase a dizer, passemos a palavra sobre a cervejola ao
Fernand Braudel, que diz assim: para a
fabricar, fermenta-se trigo, ou aveia, ou centeio, ou milhete, ou cevada, ou
até espelta [isto, é praticamente tudo que é cereal]. Nunca se trata um cereal sozinho: actualmente os cervejeiros juntam ao
germe de cevada (o malte), lúpulo e arroz. Mas antigamente havia muitas
receitas, levavam papoila [eh…eh…],
cogumelos, aromas, mel, açúcar, folhas de louro… Os Chineses misturavam também
nos seus «vinhos» de milhete ou de arroz ingredientes aromáticos ou mesmo medicinais.
A utilização do lúpulo, hoje generalizada no Ocidente (dá à cerveja o sabor
amargo e garante conservação) seria originária dos mosteiros dos séculos VIII e
IX (primeira menção em 822) (…). Estas merdas realmente importantes que os
tipos e as tipas pensam que sabem mas não sabem um caralho, e sobre a cerveja
grassa a mais bestializada ignorância, para não dizer relativamente a outros
milhares de assuntos. Agora vou ali ter com um compincha por causa da cena do
modem.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 209: o cão no seu labirinto
Depois as coisas medram à nossa volta, crescimento galopante, um tipo
olha e não vê nada, olha sem ver, ainda por cima merdas que nos são familiares,
quistos urbanos, feijoeiros vingativos e outras cenas, um tipo olha, faz
planos, planos inclinados são… eh…eh…um gajo vai em declive acentuado mas não se
apercebe, vai arranjando soluções portáteis – e nesse sentido ajuda dar uma
vista de olhos pelas cenas do Vila-Matas, e entretanto vai-se miniaturizando para
escapar às emboscadas da sua mente, cria uma série de símbolos, anagramas,
merdas a boiar no vácuo e segue caminho como nada fosse, até aqui tudo bem, mas
vai atolado em literatura (com banda sonora), fechado dentro da sua própria
página esquecida e mundana, e também lhe pode dar para as bebidas fortes como
metal fundido. Mas nem se apercebe. Também pode optar pela cerveja, e já lá
vamos recorrendo ao Fernand Braudel. Mais tarde, agora estou cansado.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 208: regressar à procedência de uma forma esquisita
Não sei bem porquê, mas acho que acordei com aquele ar típico de um tipo
que tivesse aprendido a cair bem ao levar um soco, isto recorrendo a uma imagem
singelamente facultada por Philip Marlowe, quer dizer, por Raymond Chandler, no
imenso adeus, primado do policial negro o caralho!, aquilo é um romance do
melhor venha quem vier, e com as cores que lhe queiram dar, os cabrões, não
faltam por aí cabrões a dissertar merdas sobre literatura, e a classificar as
merdas como o Linnaeus fazia na cena da nomenclatura binomial, para as plantas,
ou isso, mas é mais do que isso, e depois um gajo não consegue ficar calmo, simplesmente
não consegue. Depois fui ver umas merdas no computador e saí para correr quinze
minutos, mas ainda não sabia que a coisa no final ia descambar para os lados da
mercearia grande. Ainda tenho a comichão no braço...
[ontem também respondi a mais dois anúncio de emprego(?) - risinhos]
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 207: a nuvem móvel de inimigos desaparecera misteriosamente
Também ando na peugada de mim próprio, um matreiro nem sempre fácil de
não encontrar, com laivos de paranóia introspectiva, excessos de solidão
demarcada, cujos contornos apenas um futuro incerto como o caralho poderá
eventualmente descodificar, isto antes de a fita com a informação se
autodestruir. Por exemplo, sair da cama, subir a ladeira, fazer a tal cena para
ver se existe a possibilidade de respirar melhor e andar pelos prados durante a
primavera, descer a ladeira, dar duas de
treta, vestir a roupagem SOS corrida, respirar, começar a correr, milhares de
pensamentos acoplados a esse corpo que já corre, aí vai ele, agora estamos a
observá-lo de fora, burlesco, para não dizer mais, aí vai, abana todo, tosse,
olha o braço com a informação supostamente descodificada, arde-lhe, agora já
estamos outra vez dentro, paro de correr, alongamentos, ou isso, subo a outra
ladeira, é outra ladeira. Fecho a porta. Olho para trás para ver se sou seguido.
Népia. Nada?
[uma história em quadradinhos]
domingo, 27 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 206: vamos ganhar aquilo
[noite: vegeta, cerveja e musicol...caminhada e paparoca (risinhos)]
ZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzinsóniamatinal?...estamoszz mal. Desenjoo abonado. Estômago tonificado...
ZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzinsóniamatinal?...estamoszz mal. Desenjoo abonado. Estômago tonificado...
sábado, 26 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 205: sofrer consequências e portanto
Comecei logo por
dormir parte da manhã, eh…eh.., então deu-me para um chá verde e torradas –
olha a novidade?, após ao que me terei dedicado sem apelo nem agravo à leitura
de jornais retardados e de um livro que muitos apelidam de clássico. Depois,
obviamente, fui correr. [z]
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 204: conserve-o, faz prova
Começou ontem numa conversa sobre o aumento da tarifa disto e daquilo, a denominada
actualização de preços nos produtos e serviços disponibilizados, bla..bla..bla…entretanto
já hoje, não fui correr, corri comigo de qualquer veleidade anarco criativa e
calcei uns chanatos pretos para ir à tal cena, da tal cena não reza a história, como
poderia?, a não ser dois jornais colhidos debaixo do braço e um pensamento em
riste. Aguardo, agora, pacientemente, a cena da tarde, mais um débito à minha inteligência
de trazer por casa, mais uma vírgula na prosa adiada destes dias, e dou comigo
a pensar nessa obscura brecha do universo, e dou comigo a pensar numa gamela
com cheiro a vomitado. Mas não passa disso.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 203 e tal: as coisas lixam-se
É isso, já estou de volta, foi apenas uma ferida superficial, eh…eh…não
tenho feito grande coisa, pensava nisso há pouco, quero dizer, tenho feito coisas com a sensação de não
realizar nada, de não atingir grande coisa, respostas a anúncios de emprego aos
montes, abrir o leque – mais?, ao ponto
de parecer uma velha prostituta, sem ofensa às putas, sem ofensa às putas,
registe-se. Praticamente já ninguém nos responde sequer aos e-mails, a não ser
para aquela cena de comissionistas,
eufemismo para não existir qualquer graveto base, ou isso, já a sabemos toda, e
ainda assim, arrumamos o nosso saco de ossos e vamos fazer uns testes, umas
provas, para técnico superior, técnico inferior, assistente da técnica, sem
técnica mas com grandes assistências, um fartote de previsibilidade, um final a
lancetar qualquer desmentido categórico de progressão. Não sei se estou calmo.
dia não sei quantos 203: zZz que horas são?
Ah!, bom...
[agora vou ali tentar correr qualquer coisa, até já]
[agora vou ali tentar correr qualquer coisa, até já]
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 202: sem peso na carteira ainda fico mais triste (eu queria dizer fodido)
A páginas tantas, em os sete
loucos, Roberto Arlt, escreve,
não sei se vos disse o quanto eu gosto de Roberto Arlt?, pois, mas ele escreve: –
disse que é a angústia. Uma pessoa rouba, faz coisas terríveis porque está
angustiado: Você caminha pelas ruas com o sol amarelo, que parece um sol de
peste…claro. Você passou certamente por estas situações. Ter cinco mil pesos na
carteira e estar triste. E de súbito uma pequena ideia sugere-lhe o roubo. Aquela
cena do sol amarelo é a mesma do sol no Estrangeiro do Camus, isto na Argélia, na praia, mas não vem caso. Amigos na mesma.
[agora vou ali estudar cenas]
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 201 e tal: adenda
[ok, vamos deixar a desbunda para mais tarde]
dia não sei quantos 201: o último leitor?
Então, se o tipo que escreve um diário, este diário, por exemplo, nem sei bem o que é isto, bom, mas se quem
escreve transmite o sentido do vivido,
isto segundo o Piglia, então quem lê é aquele que procura o sentido da experiência
perdida, isto segundo o Piglia, ou isso, mais coisa menos coisa, ficamos a
navegar à bolina, trágicos, enérgicos, humanos. Talvez demasiado humanos, isto
não no sentido nietzschiano ou nietzscheano?, ou o caralho, mas no sentido
reco da coisa.
[estou atento e fui correr]
Who's Afraid (?)
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 200: duzentos mais qualquer coisa
Especulo e escondo, farto de pesquisar infatigavelmente as zonas de sombra do conhecimento humano,
acho que foi Vila-Matas que nos veio com estas merdas, especialistas em
estranheza, ou o caralho, mas não saio da cepa torta, resmungo letras,
congemino mudanças, penso em montes de merdas, não vou fazer isto, vou fazer
aquilo, e o tempo passa, olha o tempo ali a passar, mas não se vê, parece que
somos donos de uma data de merdas entre elas o tempo, a imensidão toda no bolso roto do casaco. Leio o “Diário de um homem
supérfluo” de Turguéniev, logo no início um homem (não sabemos ainda o seu
nome) fica a saber que está a morrer, desenganado pelo médico, percebemos que
começa um diário e escreve: Diz-se que
diante da eternidade, tudo são bagatelas, sim; mas neste caso a própria
eternidade é uma bagatela. Parece-me que estou a cair na especulação (…),
terei sorrido uns segundos, tudo se subordina à perspectiva, à vertente onde
instalados observamos as coisas, difícil é encaixar a graduação das dores e por
aí fora. Pura especulação...
[de manhã fui correr a custo…]
domingo, 20 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 199: disposições transitórias para efeitos do disposto – cessação de resignação
Não é certo, mas estou a começar o dia, é preciso interceder por mim,
intercedam por favor aí nos vossos anais solitários, ou isso, todavia não
poderemos aquiescer com falsas partidas, impõe-se limpar a resignação de
quaisquer resíduos tóxicos até esta se tornar ventura, que por acaso é o nome
de um guardião que pode ser utilizado pelo homem que treina a dor, e depois da
ventura, que apenas rebuça a situação, vê-se a estaleca. Mas posso estar
equivocado.
[agora vou ver da casota]
sábado, 19 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 198: vai ver se chove...
Escreveu um dia Flaubert que ao vermos uma nuvem ameaçadora, [devemos] predizer: «vai chover a cântaros.». Por causa desta brincadeira não fui correr, fiquei por assim dizer colado à cama a ler umas merdas, a borrasca da noite anterior nada teve que ver com isso, claro.
[De tarde fui, contra todas as regras de conduta, à mercearia grande, mais isso, mais aquilo, tenho uma vida muito interessante]
[De tarde fui, contra todas as regras de conduta, à mercearia grande, mais isso, mais aquilo, tenho uma vida muito interessante]
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 197: contra-senha
ZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
À primeira paragem no – como é que se chama? – ah, já sei!,
posto de controlo, senha?, contra-senha?, logo vi que não ia ser fácil, o caldo
a vazar, sacadas armas, donde apareceu esta merda?, manobras dissuasoras, algumas palavras incompreensíveis são
proclamadas, campos à volta até perder
de vista, um sol amarelo como o caralho caucionava a sede que agora sentíamos,
de repente um gin bombay com campari, cama de gelo e limão, na extremidade dos
copos de gin bombay com campari, cama de gelo e limão, corpos femininos materializavam-se
aos nossos olhos incrédulos (o plural é só para dramatizar a coisa)… entretanto
terei acordado, debalde, boca seca, o corpo afadigado. Terá sido a cerveja de ontem?, não,
não pode ser.
[depois fui escrever merdas no notebook vermelho - como é possível ser vermelho?huuum]
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 196: e a senha?
Está quase, eu diria, a saufage ligada com piloto
automático, vai correr tudo bem, assim em termos genéricos vamos ao desmazelo,
aquecidos de fronha carnuda, com as reentrâncias nasais ligadas a dar para o
torto, os pulmões a refilar que deus a dá, atempadamente as máscaras a desuso
sintomático, níveis intransigentes de penúria a oxidar a carteira junto ao corpo,
um coro de nuvens além, que foda, o tempo todo nisto e naquilo, já saímos, não
entrámos?, o motor ronca o genérico a
almofadar os sentidos, começou?, é agora. E vamos.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 195: robe de chambre est un vêtement d'intérieur (?)
Já de pés e quase deitados, a penumbra a envolver a situação entrosada com
desenvolvimentos parcimoniosos, uma mão a agarrar um copo de água, risos, dez e
picos vê lá tu, meia dúzia de pensamentos congeminados com as estranhas a
caminharem rumo a uma decisão, quase chá verde, quase torradas, quase de pé,
quase deitado. Agora vou ali ler qualquer coisa.
[depois ir ver da cena do livro técnico]
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 194: a dificuldade metamorfoseada em ensejo, o caralho
O levantamento das carências ainda não terá sido efectuado com a diligência
necessária, não se acusam nem a súmula solidária, nem o salão ecuménico que
serve para apoiar rigorosamente aqueles que, porventura, o solicitam, de sorte que já
pensamos em roubar aquele porco de quinhentos quilos que se enfarta lá para os
lados da Póvoa do Lanhoso, dizem-nos, que não lográmos testemunhar tamanha
arrumação de carnes, mas já nos informamos e mapeamos uma listagem de trajectos
possíveis para arribar a tão pitoresco destino, o qual ignorámos, de todo. Uma espécie de
arqueologia contemporânea enfezada revela-nos um pós-operatório a rondar duas semanas, ou menos, na mira temos várias obras do Camilo Castelo Branco e do
Aquilino, entre vários outros, para controvertermos questões que contribuam
para colmatar os danos colaterais de tão ousada empresa. Cerca disso.
[após uma noite polvilhada de sonhos alucinados, de manhã subi a ladeira, desci a dita e fui correr]
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 193: testar a conexão inexistente
A primeira parte da manhã arrematou o primeiro prémio de ode à dolência
da fundação dos governantes aparentados, e o segundo prémio comendador Astúrias
para um artigo didáctico em português pré-acordo ortográfico sobre a dormência
como uma das belas-artes, e assim foi. Depois fui correr. Tive que devolver os
prémios aos cabrões, estes cabrões estão sempre atentos nestas merdas, já
noutras, afogam o ganso e dão de frosques, essa merda revolta-me na medida em
que fico assim para o fodido e sou até capaz de cenas absolutamente desvairadas
e desguarnecidas de qualquer sentido. Entretanto já preparei duas respostas a
anúncios saídos de meios de comunicação escrita do mais fino quilate, daqueles
em que as putas se anunciam como agentes de convívio para cavalheiros de nível,
com formação superior, as putas, e eu a objectar com carta de motivação extra e
CV devidamente impressos e prontos a enviar pelo correio, ou isso. Aja graveto.
domingo, 13 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 192: quick installation guide
cervejawhiskyrockZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzznáuseaaazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzpãofrescocházzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[e o caralho da limpeza da casota, já estou fodido com esta merda, passem o caralho dos palavrões amiúde]
sábado, 12 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 191: a mão fez esse ofício
Caro diário, acordei e logo aquela zoada, a cama colada aos olhos, seriam dez horas, o corpo nem queria acreditar, tão cedo? – escutei, mais uma das vozes do quarto escuro, com a janela aberta não melhorou, a voz outra vez, tão cedo? – à falta de melhor optei primeiro por folhear o Público de ontem encontrado no meio da salsada do quarto, e mais tarde, num livro li isto: novamente lhe disse que estimaria muito estar perto dela, mas em minha opinião, os mortos ficam bem onde caem, diário de 12 Janeiro de 1888, de Machado de Assis, melhor, de Aires, o memorial do dito, mas essa merda é ficção – rezingou a voz detrás da cómoda, queria-lhe dizer que me estava nas tintas, que a 12 de Janeiro de 2013, um diário começava assim, caro diário, acordei e logo aquela zoada, mas a voz já estava longe ou eu longe da voz. Acho.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 190: aos pensamentos oníricos latentes
No sonho eu passava directamente para uma pensão/reforma choruda, havia bungalows com moças e quedas de água, música, livros, as moças
riam-se dos livros, os moços que apareciam também, havia piscinas naturais mas
também outono com árvores de folha caduca, as tipas e os tipos não gostavam do
outono nem das folhas, eu ficava fodido, lembro-me bem, mas ficava para ali a
olhar as aves em romaria, o Sporting ganhava um campeonato ou outro, assim está
bem, não é nosso ADN ganhar à tripa forra, depois a pensão choruda, uiii, alguém
decidia aumentar os impostos, buuuh!, alguém se insurgia, eu fingia ficar
fodido mas à beira do presidente chefe insurgia-me contra esta debochada
catanada aos bolsos dos reformados das reformas chorudas [risinhos] que nem sempre estão reformados, depois
disfarçava-me de várias cenas e percorria o mundo, tentava sobretudo conhecer
outras merdas, ver outras merdas e compreender outras merdas, quando me dei
conta estava com pouca gente à volta, dois três mânfios e mânfias fixes, e foi
então que acordei, ou o caralho. De pensão choruda népia.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 189: subir na geral, descer na particular
A regulamentação do dorsal 3S1432 revolucionou a manhã sem apelo nem
agravo, um verdadeiro regalo, isto após um acordar pachorrento com acabamentos
de qualidade vulgar, para não dizer pior, duas reentrâncias do estore a
escarnecer do dia lá fora, dois feixes de luz comatosa a ministrar um jogo de
sombras absolutamente incompreendido pelo tipo que compõe estas linhas. Após um
chá preto e meia torrada com manteiga e marmelada, a corrida, registe-se a
indumentária: calça meia preta e sapatilha adidas camião igualmente de cor
preta, calção azul-escuro com manchas indiscritíveis, camisola de manga curta debruada
a dois azuis, um clarinho nas mangas, o restante menos claro, azul céu inquieto,
e na frente o dorsal…3S1432, agasalhado
por um casaco de fato-de-treino filho único da modernidade esquecida,
percorrido no ombro pelo insecto (escaravelho?) que aqui deixamos. Lá fora,
isto: cão…cão…caaaaão…cão – escutava-se, para quem não é mouco, como o sr.
Ferreira, novo mestre treina a dor, a nossa, claro. Depois foi só dar gás.
[Pormenor do escaravelho do casaco de fato-de-treino, dirigindo-se para a gola, aquela coisa às riscas. Lindo. ]
[agora vou ali meter-me em trabalhos vendo cenas de empregos...
até]
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 188: singularmente estorvados
Caro diário, conforme solicitado, não, conforme solicitado não, isso era para outra cena, a outra escrevinhice, caro
diário, não há espiga, apenas houve cama toda a manhã, ou lá perto, desmama de
leituras, restos da madrugada esfiapados pelo recinto, revistas espalhadas, não
se dormiu muito, apenas se minguou a casota a uma assoalhada, lá fora a chuva,
um céu cinzento a tolher o dia, não que fosse necessária qualquer ajuda para tolher
o dia, não, não, em consonância, estamos em consonância. Ainda estendi a mão para
ver se laçava um cais de chegadas, mas já estava a pesquisar a cena para o certame
que já tem dono, dir-me-ão, desperdício, e dir-me-ão muito bem, mas preparo
refutação antecipada, cacete justificativo, temos que estar preparados para o mérito, perdão, para o
bem servir, o inominável, já que um encolher de ombros presta os mesmos
serviços que a mais laboriosa meditação, isto segundo o Stirner, claro.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 187: nada nascera para mim?
Não sei se repararam mas o novo ano, dizem, está a começar, para mim
começa lá mais para a frente, entre o ortodoxo e o chinês, ou isso, mas já temos
o rosto do novo ano, já temos sim senhor, o tio já o lançou com o
estigma do Arthur a tiracolo, e já temos o tipo novo usado [que] treina a dor,
a nossa e de mais alguns eleitos, amestradores de dores (não é pleonasmo!), pensei
nisso logo à saída da cama, alongamentos, dor, desenjoo, paragem, depois
corrida, dor, exercício, dor, catarrada, dor. Já estamos habituados.
[não esquecer a cena da tarde...]
[não esquecer a cena da tarde...]
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 186: tenho evitado pensar nisso
Correr atrás do prejuízo, mas onde está o prejuízo?, lá fui correr sem
saber onde é que parava o prejuízo, esta cena dos ditados, dos aforismos,
parece que as boas contas fazem os bons amigos, mesmo em estado grave, e essas
contas que te avisam amigas são, pensava nisto, escutava You la Tengo – outra
vez a merda dos you la tengo?, contra a maré, o sol doidivanas a aquecer as
hostes, miríades de pensamentos a tentar formar caudal ofensivo, o cérebro a resvalar
inexoravelmente em cada esquina neuro
sensorial, esquemas rotativos a surgirem do nada e as pernas a darem de
frosques com o peito a ruminar catarradas, ou isso. Disfarçadamente, um corpo transportava-se
além, primeiro a ponte aérea, paragem, depois o trajecto inanimado pelas
tascas, a cidade toda a tasquear, chusmas de passeantes sem rumo, esplanadas a
debitar imperiais, finos, garrafas a gosto, misturas, o sol a dar para o torto,
paragem, cuidado com o Favaios à direita, com licença, a estrada de paralelepípedo,
sonhos a brotar da calçada, sonhos esmagados na calçada, um corpo sobe ainda, a
ladeira enfim, se rebola, se cai, agora. Depois ainda sol, a desmama da manhã, a
sopa de legumes e um enlatado gourmet [risinhos] para destapar a marosca ao
dia. Mais uma resposta a um anúncio, repetição, o mesmo de quando?, já terei
respondido?, não seria o tal?... as vozes vinham agora de longe, não sei porquê
apeteceu-me ver o Elephant mais uma vez, aquele cena da moça de fato-de-treino a olhar o céu, a cheirar a morte?, sei lá…estou confuso.
domingo, 6 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 185: os sinais
Na forma que o acaso e o vento dão às nuvens o homem fica logo absorvido a reconhecer figuras: um veleiro, uma mão, um elefante (...) escreveu um dia Calvino. Pensava nisso, olhando o sol, interrogando o céu, desmarcando-me da manhã, de outros
pensamentos, refilando entranhas amarguradas, eterno porque será?, e depois a casota, a diligência da limpeza da dita, o
desnível entre todas estas coisas, um programa de rádio ao fundo, terá sido por estas e
por outras, com mais sol, sílica, ou isso, que o Árabe se fodeu com o Meursault,
que por sua vez se fodeu no final do L'étranger
do Camus, quer dizer, não se fodeu para aí além, aquela cena existencial, foda-se, e a cena de saltar para o camião. Pensem nisso. Pensem nisso...
sábado, 5 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 184: soluções para melhorar automáticamente
Entretanto terá ficado deitado na cama a ler, após o que se dignou
levantar a peida para ir ao pão e degustar um café com leite mal fodido, com
direito a factura, a menina com a facturinha na mão, a outra mão a estranhar
tamanho enlevo, a maquineta nova ali ao lado, preta como tudo, ou isso. De
caminho pensou na vida, terá recordado um papelinho semelhante da noite
anterior, uma máquina preta e um aumento de preços acoplado a um sorriso.
Compreendeu. O sol acompanhou-o nesses últimos passos a remoer um ou dois
pensamentos avulsos. Esta merda é preciso tirar um curso – pensou. Mais um? –
mastigou silenciosamente o pensamento seguinte. [psssst: não se podem desperdiçar
pensamentos à tripa forra]
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 183: criação de obstáculos
É coisa simples: gerado ensonado, pulei a cerca várias vezes. Não dá para
ficar por aí lamuriando o tempo, resmungando ambiências snobes de consórcio alheio,
presa fácil de plumagens travestidas, sempre ausente na relativa ventura,
sempre antecipando a glória caindo de madura (como?) . O tempo jaz em cima da voz
que o traz (inventei agora), esboroa-se encavalitado no corpo que parasita,
formando praias belíssimas porém efémeras, praias acascalhadas de garrafas com
mensagens, ou isso. Um litoral decadente. E de qualquer maneira estás sempre fodido.
[duas demandas matinais]
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 182: olha ali, fui correr
Não senti logo tudo, mais a cabeça, também a caixa,
os pés, as pernas, a caixa, o bofe, o estalido de burro do lado direito, a
disjunção explosiva de duas articulações, o cérebro a dar de frosques. Primeiro
as sapatilhas novas, depois a cerveja e o whisky, depois ainda a bolaria e uma
roda dentada de bicicleta antiga que eu pensava já ter digerido, tudo isto assomou
à minha boca, com a palavra foda-se a tiracolo, mas eu já ia fodido por isto e
por aquilo, já ia a dar para o torto, para outro peditório mental, mas vou esperar, vou
esperar até ao meu ano novo.
Agora vou ali dar de comer ao propósito do dia, ou o
caralho!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 181: (...)
dir-se-ia que o posicionamento não augura problemas de maior: não haverá já
dor que o sustente. Inválido, o posicionamento arremete contra si mesmo. O
posicionamento, já não sendo um posicionamento,
torna-se situação. Um lugar do nada. O corpo segue-o.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
dia não sei quantos 180: dois mil e trezzzzzze
ZZZZZZzzzzzznáusea...zzzzzzzzzzaicarambazzzzzsoftparadezzzzzzzmosquitozzzzzzzzlighzzzzzzZZZZZpatorecheado......
[não necessariamente por esta ordemzzz]
[não necessariamente por esta ordemzzz]
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