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quarta-feira, 9 de maio de 2018

zzZzz...


O futuro não existe, excepto quando acontece. 
Assim escreveu um dia, William T. Vollmann, em "Central Europa". O Inútil anda em bolandas com isso. Informo que a frase (vamos chamar-lhe assim) acima resume todo o livro. Na verdade, resume a história da humanidade. Eu acrescentaria: não aprendemos nada. Vou telefonar ao Vollmann. O polvo serve para essas coisas. Com a vossa licença.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

apesar de tudo

comprar laranjas, não, ainda tenho tangerinas, alguma fruta, vá lá, um nabo, sim, batatas, cenouras, tenho couve no frigorífico, fazer a sopa, ah!, com feijão vermelho na base, preparar o estufado de vaca com cenoura (e feijão vermelho!), fazer a mais para marmitar, como encaixar aqui o jogo do Sporting com os polacos, ah?, ouvindo o relato, sei lá, beber uma cerveja, isso não esqueces, pois não?, comer, escrever um poema que será um épico chamado "ROTO", - já começado, aliás, passear um pouco; e aquela cena dos presentes para aumentar a felicidade simulada do espaço público cognitivo? - feito. Acho. Levantar as costas, ler um pouco, quem sabe?, tomar duche a meio da tarde. Não prever.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

perguntar eleva

hoje acordei (de folga), a garganta o nariz os lábios colados. Sentia tudo. Tomei o respectivo veneno para desopilar as dores, as artérias, o pingo, coisas assim. Bebi chá preto e ingeri um croissant nojento com dois dias. Uma cena vermelha saída de um frasco coloriu esse croissant. Nesse frasco poderíamos ler, se quiséssemos, doce de tomate. Então peguei em três livros (um de poesia) e fui-me deitar. Aí chegado ainda esbracejei mas era demasiado tarde. A luz entrava toda e ainda descobri umas coisas sobre "pontos de interrogação". Eu já volto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

a análise

Prefiro acreditar que a complexa ingenuidade das pessoas se reveste de critérios suficientemente etéreos para serem aqui chamados. Meus caros, dizem-nos (às vezes) que a ingenuidade (e mesmo a estupidez), não se pagam caro, pelo contrário, dizem-nos (às vezes) que estas seriam parte integrante da sólida estruturação estratificada (deixem passar) do mundo que nos rodeia, onde as superestruturas capitalistas, como diria o Baudrillard, se solidificaram de uma forma que faz lembrar a bucha química, isto é, a parede até pode ruir mas a parte chumbada pouco se importa com isso e não se recente. É por isso que prefiro a figura dos critérios etéreos como explicação singela sem recurso à análise de dados qualitativos, ou isso. Por vezes, lá aparece a América do Arizona, do Texas, do Ohio, do Nebrasca, mesmo em filmes estes aparecem amiúde com cavalos a aconchegar a fotografia, e nem sempre a acção decorre no séc. XIX. Se repararmos bem, observamos que aos poucos foram desaparecendo uns índios, e nisso precederam o desaparecimento inexorável das abelhas, motivo pelo qual se fazem colóquios ambientais em hotéis de 5 estrelas. Pretender conhecer a América através duns posters nova-iorquinos, da Califórnia, ou mesmo de Chicago, é não saber, como diria Al Capone, onde raio fica o Canadá. E o Canadá, asseguro-vos, até fica perto. Só é pena o aparecimento de surpresa do “Piloto”, agora conhecido como cidadão Pedro Dias, em directo para as televisões, ofuscando assim a vitória de Trump ali ao lado, quer dizer, perto do Canadá.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Estava a pensar nisto

Se, como afirma Clausewitz, a estratégia é a utilização da batalha para ganhar o fim da guerra, então o que fazer da vida? Quer dizer, partindo do princípio de que a vida é uma batalha.E mesmo sendo uma batalha, será possível ganhar a guerra? Faremos então os possíveis para que a vida não seja uma batalha e, nesse caso, não precisaremos de uma estratégia (não há guerra para ganhar). Ok?

quarta-feira, 16 de março de 2016

e ficou ali parado...

O Jardim de Verão estava carrancudo, escreveu a páginas tantas Béli no seu Petersburg, no início do quarto capítulo, o tal em que a linha da narração se quebra e um tipo fica agarrado aos tomates, mas apenas por breves instantes. Já se sabe como estas coisas doem. 

quinta-feira, 10 de março de 2016

isto vai

hoje até dormi quase sete horas, acordei a pensar na cena, já ontem dormi seis e acordei a pensar em cenas, levitei nessas cenas durante quase um hora e voltei a adormecer, voltei a acordar, as cenas habitavam um espaço muito confuso com árvores e castelos medievais, uma cidade ali para os lados da Guarda, uma posta de pescada cozida (tenho saudades de pescada fresca cozida), dois contos intermináveis, uma posta a publicar, aquilo era um lugar muito estranho, pouco recomendável. Levantei-me ainda com a cenas que carreguei todo o santo dia, isto ontem, hoje vai pelo mesmo caminho, as cenas bifurcam-se, encolhem, insinuam-se como a Cristina Ferreira em revistas estrangeiras aos gritos, porque gritas?, perguntam-lhe, ela não sabe responder coitadinha, levantei-me, isto hoje, decidido a meter as cenas na ordem, mas estava, estou, dobrado, lavei os dentes antes de tomar o pequeno almoço deixei arrefecer o chá, duchei no meio disto tudo, acho. Isto vai...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Uma tristeza inconsciente despertada a espaços

Praticamente resolvido em tribunal o litígio com os dias, contentamo-nos em recorrer ao descanso, à preguiça, madrasta de todas as virtudes. O tédio, todavia, avizinha(va)-se, sem que, contra isso grandes esforços sejam feitos. Debalde. Voltar ao estudo, caminho único para embater na luz projectada pelo comboio. Resta-nos o consolo de o túnel ser novinho em folha. Bons tempos…

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O dente do tempo estava a trincá-lo

Ao levantar da cama cinco gramas de Andrei Béli, nada mais, nada menos, o Andrey Biely para o Vilamatinhas, o tal que havia sofrido uma crise nervosa ao sentir a ascensão irremediável das lavas do sobreconsciente, em todo o caso, Андрей Белый, Andrei Biéli, pseudónimo de Boris Nikolaevich Bugaev. Aqui apetecia-me interceder pela expressão em todo o caso: em todo o caso cinco gramas bastam, começando talvez por Petersburgo. Leio sempre melhor de manhã. Dói-me a cabeça e leio melhor. Ressaco e leio melhor. Estudo sempre melhor de manhã, final da manhã, bem entendido, faço melhor as necessidades, e são muitas, de manhã (risinhos), final da manhã, bem entendido. Desespero sempre menos de manhã, seja ao meio da manhã, seja no final da manhã. Por essa hora, quando os pensamentos já se entretêm a brincar aos médicos, ducho, quase sempre.  Alimento-me, quase sempre. É que, a páginas tantas, esses pensamentos que brincam aos médicos, põem um tipo a olhar para o boneco de chapéu de palha e óculos, esse tipo não sabe se deve sair agora ou mais tarde, instalando-se uma situação próxima da oxidação desse momento, uma situação que se agiganta sobremaneira até embater em qualquer coisa dura. Tem que ser dura. De tarde vagueio, limpo as ideias com um pano, seco-as ao sol, compro tabaco mortalhas filtros. De tarde vou ver da promo do skip. Eu que gostava tanto do Juá. Saiam sempre umas coisas no Juá. Agora é isto…

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Trate-os como se fossem dinheiro

Fui a uma entrevista para inspector dos cogumelos. Sonhei com a família micro-ondas e escrevi mentalmente sobre isso ainda no sonho. Encontrei DaDa atrás de uma soirée unicamente dedicada à intoxicação humana através da utilização de cartas de apresentação. Desliguei um ou dois curricula vitae da máquina. Foi com prazer que condescendi às sementeiras da discórdia. Por acaso, ultimamente, não tenho encontrado o Andy Warhol (sem óculos) nas paragens de autocarro (Braga). Nem o homem aranha pequenino. Entretanto, recebi informação fidedigna que decorre uma campanha eleitoral para o pequeno nada. Tudo com letrinha pequena. Continuamos a procurar o Grande NaDa. Continuamos a explorar o abismo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

dia não sei quantos [2 +]3 à quarta: aqui os quero eu ver

Não me sai (embora a entrada até seja recente) da cabeça, uma cena do Nicanor Parra que diz assim: passou demasiado sangue sobre as pontes / para continuar-se a crer / que possa seguir-se um só caminho. São nove e vinte e dois aqui em baixo. Além tudo é permitido, com a condição expressa (diz-nos Parra), de superarmos a folha em branco. O mundo (deixa passar poesia), quer ele dizer. Ou nem isso.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

dia não sei quantas quartas isto tem: facsimil

Na realidade, para não dizer pior, foi para estabelecer contacto gestual ó participativo com a cerveja que ontem me ausentei por algumas horas da casota. A humanidade não era para ali chamada. Lá para o final do túnel apreciei ligeiramente o sabor da noite. No elevador mais lento do mundo também cheirava a noite de perfumes rascas…casota, uf, finalmente o corpo a pairar até se estatelar na cama. Dez e meia?, não pode ser, chamem os bombeiros a bófia a organização sindical de poesia, chamem os dinamizadores de tertúlias gastronómicas, exijo ser ressarcido pelas horas de sono escamoteadas (a utilização deste tipo de vocábulos é da inteira responsabilidade do autor dos mesmos). Lá fui à biblioteca que é o meu ginásio: carregar a mochila, ajaezada à andaluza (deixem passar), percorrer o caminho de volta, o sol a dar-lhe para foder o negócio aos vendedores de castanhas, árvores engalanadas de folhas lindas conspirando com a violinista para voltarmos à idade da pedra. Comer a sopa e uma tosta de queijo, fiambre, chouriço, alface: catorze horas e trinta e cinco minutos. Já tinha saudades disto, caralho.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

dia não sei quantos quarta: fica marcada a sua escavação para a próxima semana

Sabem, no planeta Platónov, por exemplo, vive-se sob a lentidão da fúria, como se a vida viesse por procuração do comité. Sabem, no planeta Platónov, por exemplo, existirá uma necessidade geral do mundo, mas apenas se sente a melancolia da inutilidade. Sabem, no planeta Platónov, por exemplo, existem técnicos que imaginam o mundo como um corpo morto, julgando-o segundo as partes já transformadas em construções; existem unidades anatómicas que não se julgam nenhuns animais e que juram poder viver através do signo do entusiamo. Sabem, no planeta Platónov, por exemplo, inventam-se dorsos curvados, não tanto consequência dos anos, como das tarefas sociais. Tabuletas dispostas em pequenas elevações expõem questões relevantes, a saber: onde é que os camaradas foram buscar a sua representação do mundo? Sabem, no planeta Platónov existem mutilados encurtados em metade pelo jugo do capital, e outros homens quase inteiros como se o corpo fosse propriedade sua. Homens haverá, no planeta Platónov, capazes de terem pensamentos mas, não raro, tudo apreciam com a tristeza da austeridade, emocionando-se por atraso... homens que vão longe apenas no espaço da sua solidão…  

quarta-feira, 8 de julho de 2015

dia não sei quantos à quarta: dispõe de três tentativas

no sonho matinal (já terá sido depois da mija), escrevia um conto ou uma novela sobre o mal de Brauer, igual ao litro, mais um conto mental, um conto sonhado, uma merda que não se sabe se chega ao mentalfémera ou ao psicocionismo de qualquer modo não me recordo e de qualquer modo (deixem passar) dei comigo acordado a pensar em Arthur Cravan, o poeta com os cabelos mais curtos do mundo, o boxeur que a 23 de Abril de 1916, em Espanha, desafiou o pugilista americano Jack Johnson, campeão do mundo de pesados, sendo batido por K.O ao primeiro assalto. Cravan fugiu e pediu desculpa ao americano, continuando a fugir até desaparecer algures no Golfo do México, antes disso terá sido ainda professor de educação física. Diz que a sua mulher o terá procurado em todas as prisões e em todos os países do mundo. Pensava em Cravan e pensava em Cendrars, Blaise Cendrars imbuído de uma espécie de vadiagem universal, escrevendo com a mão esquerda, a única que lhe restava depois da guerra, onde estaria Cendrars a 23 de Abril de 1916, quando Cravan é batido por K.O?, onde andaria Cendrars por alturas do desaparecimento de Cravan, algures no Golfo de México?, teria alguma vez Cendrars se cruzado com Cravan fazendo-lhe a tal pergunta fatídica que fazia habitualmente aos seus amigos: estás pronto a morrer agora mesmo? Diz que o fim do mundo filmado pelo anjo N.-D terá sido escrito numa noite, acho bem provável que sim, Blaise era um bom mentalfémero, mas não consigo deixar de pensar em Cravan, nisso, e no que vou fazer para o caralho do almoço...

quarta-feira, 20 de maio de 2015

dia não sei quantos quarta: é mais ou menos isto

Abrir o olho, beber um copo de água, abrir o outro olho, voltar por momentos ao escuro, aquecer água para um chá preto, carbonizar a torrada, comer tudo e beber tudo enquanto se faz uma ligação à terra através de um objecto rectangular com ecrã, rir-se da capa do jornal desportivo bolenfica, esquecer a ligação à terra, pensar uma pequena lista de compras na mercearia e já estará na hora do fluroato de fluticasona e do budesonida/fumarato de formoterol di-hidratado; começar uma segunda fase de indecisões apriorísticas… retomar o fio à meada debaixo da tal mesa de centro usada como suporte de candeeiro, vestir o fato de treino ir ao pão fresco, voltar chegar a casa fazer três flexões upa upa duchar que se faz tarde, não sem antes pensar na vida este mês o próximo que merda, não será bem assim… escrever: abrir o olho, beber um copo de água... [a agora talvez ler umas merdas]

quinta-feira, 30 de abril de 2015

dia não sei quantos à melhor de quinta: igual ao litro

Acho que fui trabalhar. Voltei. Fui. Voltei e fui e voltei. Não tarda vou. Parece que é isso o ir trabalhar. Entretanto escrevi dois contos e um poema...mentalmente. Pensei que me recordaria, mas a essência da escrita mental está precisamente em não nos lembrarmos daquilo que escrevemos. Chama-se mentalfémera ou psicocionismo, conforme o desvario do momento, a esta modalidade (deixem passar) de escrita mental, profundamente efémera e assim dotada de um certa religiosidade antiga, alicerçada (obrigatoriamente) na tradição oral e, sobretudo, dependente da (boa) memória. Ora a memória já não faz parte de qualquer manual de bons costumes da actualidade, onde o conhecimento resulta de uma mistura em partes iguais entre a humidade relativa do ar e o é igual ao litro, e os livros físicos se distinguem apenas pelas suas capas garridas, com relevos, adornados por fitinhas ou saquinhos de chá (juro!). Nesse sentido, este modalidade promove uma de duas coisas: ou se cultiva a tradição oral e a memória e então esses contos, histórias e poemas não se perdem, à imagem de outros da antiguidade; ou, a película efémera tudo reveste, participando dessa forma em toda a sua plenitude no absurdo passageiro dos nossos dias, sem que ninguém (a melhor parte é esta) se aperceba sequer disso. Em suma, uma forma de recusa, perfeitamente adequada ao nosso tempo, não lhe faltando sequer um dedo janota bem espetado no ar. Não tarda vou.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

dia não sei quantos quarta: espantada admiração

Voltou a chuva a colar-se à vinheta dos dias. Às vezes, mas nem sempre (deixem passar), queria ser um cão flutuante, um desses cães que, segundo Franz, são sempre vistos sozinhos, flutuando no alto da atmosfera com uma auto-suficiência absoluta, descendo (muito raramente), para dar umas voltinhas, assim muito a correr, pavoneando-me pretensiosamente, e voltando depois à mais profunda das meditações que enchem esses espaços aéreos de solidão. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

dia não sei quantos: um de abril

Sim, fui correr. Sim, não, quer dizer, não bebi chá, nem papei torradas com manteiga e doce de ameixa. Sim, a ladeira perto de mim. Não, sou um cão a tempo inteiro. Sim, sou um cão a tempo parcial. Não, não sonho que calcorreio a América Latina ao volante de um livro antigo. Sim, hoje quarta-feira de petas. Não, não está sol. Não mostrei a língua desvairado ao espelho da casa de banho, nem teci um enredo teórico alusivo a estranhas marcas na língua, supostamente provocadas pela dentição e/ou problemas mandibulares. Não sonhei com estas cenas enquanto tentava manter a boca aberta por razões consonantes com o enredo teórico tecido acima. Agora não vou beber uma cerveja…