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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Ontem fui trabalhar. Silêncio. Hoje vou trabalhar. Silêncio tonitruante. Poema a voar, ninguém sabe muito bem para onde.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

dia não sei quantos 3 e picos das investigações: o paradoxo

Depois da inspecção territorial ainda a noite era uma criança, daquelas choramingonas. Pensei em abrir um escritório para legitimar as investigações, ideia merdosa apenas possível numa cabeça cuja base fosse alicerçada em duas pernas e na posição corporal erecta. Para aprender mais sobre as duas pernas que possibilitam a posição erecta abri um livro do Nietzsche e li: todo o homem de elite aspira instintivamente à sua torre de marfim e reclusão, altura em que este se liberta, isto ainda segundo o Nicha, da massa, dos muitos, podendo então esquecer a regra «homem», e tornar-se, ele próprio, a sua excepção. Estive uns infinitos três minutos a reflectir na leitura, olhei em redor e vi o diário. Li: solidário com essa amálgama de sabores que se espraiavam, emborquei timidamente um desenjoo e tomei conhecimento, acusei mesmo a recepção, de uns elementos novos que não acrescenta(va)m ponta nenhuma aos outros elementos velhos que também já foram novos, surpreendi-me mesmo com a minha falta inusitada de exigência potenciada por essa dinâmica social exógena ainda mais débil em termos gerais de exigência, ou outros. Confirmei-o com um sorriso. Juro que pensei que folgavam. Nesse momento, percebi que embora os sorrisos não precisem de tradução, umas legendas sempre ajudam, e deixei-me ficar, abandonado como uma estátua aos olhares, acho que isto da estátua é do Onetti, ou isso. Aquelas linhas remontavam ao dia 17 de Dezembro de 2012. Ao lado do diário ressumavam angústias divididas por vários papéis, abri à sorte e li: sou muitos, tantos que sempre que acabo de contar tenho que recomeçar. A importância de se ter duas penas que propiciam a posição corporal erecta, afinal, é directamente proporcional à importância de alguém se chamar, por exemplo, Ernesto. Amanhã é outro dia, pensei.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

dia não sei quantos sinaliza a quarta: Wittgenstein vai à bola

Fazendo parte do registo (indisponível) de caçadores de simulacros e do grupo de associados ao anacronismo à paisana, venho por este meio dar início a um comentário post-mortem relativo à equipa conhecida (porquê?) como das quinas, e não (vá-se lá saber porquê) dos castelos, como consta em vários símbolos ostentados nas bandeiras desfraldadas nas marquises, desde dois mil e quatro, pelo menos. Onde é que eu ia? Bom, das quinas e não das esquinas, porquê?, pergunto-me. Antes de tudo, por imperativos do próprio artista. Depois porque ficamos a ganhar com um comentário à posteriori, principalmente quando não vemos o jogo em questão, muito mais que se fizéssemos comentários à posteriori tendo visto o jogo em questão. No caso concreto, defendem alguns, estaremos perante o falecimento de uma ideia de jogo, como prometido a um conjunto de acasos que nos ajudaram a chegar ali, promessa essa (não julguem que fiz confusão com comprometido, por favor), digna de uma metáfora de um qualquer autor conhecido do César Peixoto, e que terá desaguado naquilo que designaremos de (recorrendo ao pensamento cinéfilo): grande ilusão. Renoir perdoar-nos-á a impertinência, se quiser. A césar o que é de César, nunca existiu ideia nenhuma, nem sequer a ideia de que se calhar seria boa ideia existir uma ideia, não podendo verificar-se a subsequente venda de banha da cobra baseada numa fonte de inspiração que se reclama (apenas e só) filha e neta do filha da puta do acaso, não o acaso lavrado nos anais literários mas o acaso cuja simplicidade nos remete para a mais pura gíria popular: o piroco, o paio do lombo, a sorte grande a que aludia Eça, juntando-lhe nossa senhora, verdadeiro ADN compósito do nosso querido e adorado povo. Se a tudo isto acresce a existência comprovada (ou não) de um Cristiano Ronaldo, queremos uma acareação, ou mesmo uma clarificação, desde que pelos canais competentes existentes para o efeito.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

dia não sei quantos quiiiinta: os meios habituais

Com efeito, terá ido parar à comercial [resposta ao anterior – façam atenção pf.]. Avizinha-se um conflito jurídico cujo desenlace imprevisível nos remete para uma metáfora de cariz absolutamente borgiano, isto enquanto não nos lembramos de mais nada para acondicionar o estômago com os pensamentos. Neste ponto exacto podemos acabar com o itálico, manifestando, desta forma, toda a liberdade que nos assiste para continuarmos as notícias na hora errada, sendo certo que. Ora, entretanto, como nunca ninguém se perdeu e tudo é verdade e caminho, resta-nos acrescentar que trabalhar assim é só não ser visto.

[isto ao longe:
-que dia é hoje?
-quinta
-parece quarta
-antes fosse sexta
-é amanhã então, não?
-diz que sim
-ah bom a...]

segunda-feira, 2 de junho de 2014

dia não sei quantos mesmo...segunda: meter a segunda

À segunda de tarde... melhor, as segundas da parte da tarde são segundas de manhã mais acolchoadas de dores, daquelas dores boas, quer dizer, vem à tona aquela moinha (hoje, por exemplo) que produz uma sensação de pressão na cabeça, primeiro na zona da testa e frontes, depois na nuca, e vai-se mantendo estóica como tudo. Às dezasseis horas e picos, por aí, um tipo é mais tipo que cão, o que não produz nenhum efeito positivo no relacionamento recíproco (deixem passar), ainda por cima quando do outro lado da barricada unidades anatómicas dotadas de inteligência amibal escutam o som que sai de umas colunas, cuja origem, dizem, é a RFM: reforma fisiológica mental. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

dia não sei quantos quinta (re)começar com: programação própria

Olá quinta. A quinta-feira é, recorrendo ao pensamento dos Jafumega,  uma passagem, uma ponte -  não estamos aqui a divagar sobre vaus – que momentaneamente nos enlaça no sentido ilusório da existência, culminando numa fuga para a frente (a sexta, onde está?), embatendo (vou tentar encontrar uma palavra mais explosiva daqui a bocado) finalmente no fim-de-semana. Dito assim, remete-nos para um momento em que o pensamento se enjaula no pequeno zoo (assim do tamanho do da Maia) da hermenêutica, fundamentando qualquer redundância vindoura. Apesar do zzzz, trabalhar assim é só não ser visto.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

dia não sei quantos quarta (re)começar de: vai tudo dar aos spas

Um tipo cão  fica sempre naquela às quartas. As quartas são sempre um plural de quarta que joga ao meio campo da semana. Toda a gente sabe da importância generalista do meio campo das quartas, embora prefira jogar ao ataque ao estilo pontapé para a frente à (antiga) inglesa, ou isso. Às quartas (esta em particular) é importante encontrar a chave, mais importante é dar com o nariz na porta e (re)começar tudo mais tarde: o emailzinho, o de mansinho, o até ver. Trabalhar assim é nem ser visto (variação).

domingo, 23 de fevereiro de 2014

dia não sei quantos vamos lá inventar um número para isto domingo: introdução

Um dia qualquer Raul Brandão escreveu assim: para não morrer de espanto, para poder com isto, para não ficar só e doido, é que inventei a insignificância, as palavras e outras merdas. As outras merdas são da minha inteira responsabilidade. Isto num domingo de manhã, antes de proceder a uma actualização do caralho do diário.
Inventário da semana:
Segunda - a angústia a cavalo de um mal-entendido. Chuva.
Terça - o tal mal-entendido embalsamado e transportado às costas da angústia.
Quarta - uma inquietação não correspondida por qualquer mal-entendido desemboca…
numa Quinta de abas largas já em trasbordo para uma sexta acavaletada na argamassa da angústia, inquietude (deixem passar), sono mal dormido, ausência de musicol que se veja.
Sexta - quase sábado. Continuação do anterior. Nada de leituras a não ser uma ou outra prevaricação a meio da tarde. Maçã ao lanche.
Sábado  Sporting ganha no futebol de onze. Bom almoço. Passeata. Bom jantar. Bebidas a dar com um pau. Ruminação da semana até vir à boca.
Dormindo em sintonia domingueira - limpeza da casota. Rosca a dar para o quente e chá preto. Livros. Escrever que um dia qualquer Raul Brandão escreveu assim…

sexta-feira, 22 de março de 2013

dia não sei quantos 260: fiquei (in)quieto


Não me recomendo. Tenho, não objectivamente, assuntos pendentes reproduzindo-se de forma cismática na borda, quer dizer, isto aqui à minha volta limita-me a uma borda, mas uma borda encantadora com vista para a ladeira e demais regiões alveolares, de resto tenho contactos com a realidade diáfana em sentido inverso à erupção do Etna. Sei de coisas, às vezes as máquinas projectam indefinidamente a mesma semana, Bioy Casares esclarece-o sombriamente em a invenção de Morel, tudo é possível, inclusive, a coincidência, num mesmo espaço, de um objecto e da respectiva imagem total. Tal facto sugere a possibilidade de que o mundo seja constituído, exclusivamente, por sensações. Outros pontos por explicar não constam [ainda] do diário. Daquele e deste. Com a vossa licença. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 171: zzzzza reagir bem ao tratamentoz


Pois a 20 de Dezembro de 1922, escrevia kafka no seu diário: Sofri muito em pensamento. (…) É inegável que há uma certa felicidade em poder escrever tranquilamente: «O horror da asfixia é inconcebível.» Inconcebível, sem dúvida, de maneira que tudo se passa como se eu nada tivesse escrito. Entretanto, após uma ligeira limpeza da casota, não se pode dizer que não se está bem ali ao sol, e há uma certa felicidade em escrever tranquilamente: não se pode dizer que não se está bem ali ao sol. Tirar os pontos não é a mesma coisa que sofrer em pensamento, pois não? 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

dia não sei quantos 132: como já é tarde

Um destes dias ouvi dizer que um diário é o oposto dos dias com resignação, ou resignados, já não sei. Se calhar não percebi. Um diário é uma espécie de casa de bonecas (serve para este efeito) com(o) fachada, uma simulação demasiado próxima da vida, quem sabe uma forma de a tornear ou de a deslindar, e também aí guardamos, num palimpsesto escrevinhado, os nossos bonecos objectos, as nossas meditações, quase tudo o que é preciso no invólucro suspenso dos dias. Um diário como invólucro suspenso dos dias. Isto não quer dizer nada, como é evidente, mas não me lembro de nada melhor. Esgotei os bonecos, parti a louça. Uma das entradas dos diários de Kafka: "9 de Março (1923): Utilizar o ginete do agressor para a sua própria cavalaria. Única possibilidade. Mas quantas forças e destreza tal não exige? E como já é tarde!"

[fui acompanhante de uma ida à mercearia e ainda providenciei o regresso da tal assistência técnica por mecanismo de garantia]

domingo, 24 de janeiro de 2010

dia sessenta e tal, vá, sessenta e um

Logo pela manhã, quase manhãzinha, em virtude de ter sido acordado por obras domingueiras de um vizinho, não que sejam necessárias obras, basta os gajos e as gajas estarem em cavaqueira dominical para um tipo não poder dormir; vai daí, com rosca ao pequeno almoço decidi-me por leituras com pouca ressaca (eu já nem ressacas consigo ter), e para além de um suplemento antigo, recomecei a papar uma cena do Alberto Manguel, em registo diário, chamado, pois claro, “Um Diário de Leituras”, onde a páginas tantas li uma cena do Borges que obviamente já havia lido num conto: “Os espelhos e o acasalamento são abomináveis, porque multiplicam o número de homens”. Esta manhã de domingo prova-o.  

sábado, 14 de novembro de 2009

dia dois: mais tarde

Por acaso o dia tem sido muito interessante do ponto de vista de quem sai de si e se vê ao longe, tão longe que confunde quem observa, e tão longe que se cair no abismo ninguém nota, muito menos o observado. De qualquer maneira, uma passeata é sempre uma passeata e ao sábado a felicidade mistura-se com a putativa vontade de diversão, e mesmo os gajos que só trabalham de quando em vez são comidos por esse espírito de merda e que só acarreta adiantes. Assomam às conversas projectos e um tipo planeia um rol de novidades, mas só a partir de segunda-feira – o cão. Vistas as coisas, ainda não li o jornal, não toquei na consola, não caguei no jardim junto a uma árvore, ainda não li os classificados, mas acompanhei as notícias em 3 canais ao mesmo tempo e retive qualquer coisa oculta, reparei numa merda de série de vampiros na programação do dia, e parece que Portugal joga com a Bósnia e os nossos militares fazem exercício em tão importante dia lá na Bósnia, enquanto um oficial qualquer anuncia que logo vai haver festarola. É em todo lugar a mesma merda de sábado à noite.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

dia um

Experiência. Por acaso nunca tive um diário, muito menos um querido diário, muito menos sequer a enfezada ideia de ter um diário, e assim sucessivamente até ter um diário, depois de ter lido alguns diários, do Kafka por exemplo, fica sempre bem ler aquela merda de diário, ou do Gide por exemplo, fica sempre muito bem ler essa merda, até que um belo dia se tem um diário e descobre-se que muitos gajos e gajas têm a mesma merda de ideia e até há escritores daqueles que parece que escrevem livros, que escrevem livros com títulos como Diário de Bridget Jones, que resultam em filmes de domingo à tarde, perto de umas sandes, cola ou cerveja no aconchego da ressaca. Por exemplo. Mas antes de tudo é preciso um gajo levantar-se da cama. Apenas as meninas escrevem diários deitadas na cama, mas isso acontece normalmente à noitinha, e ninguém sabe bem porquê, mas as meninas ajoelham-se primeiro e depois escrevem deitadas na cama enquanto falam consigo próprias, um quadro nojento.  
Experiência. Já fora da cama, sem jornal, sem livro, televisão, mas quase de robe-de-chambre, a uma sexta feira 13, começa este diário. Foi uma sorte ter-me levando.