Mostrar mensagens com a etiqueta diário de papel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta diário de papel. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

dia não sei quantos 132: como já é tarde

Um destes dias ouvi dizer que um diário é o oposto dos dias com resignação, ou resignados, já não sei. Se calhar não percebi. Um diário é uma espécie de casa de bonecas (serve para este efeito) com(o) fachada, uma simulação demasiado próxima da vida, quem sabe uma forma de a tornear ou de a deslindar, e também aí guardamos, num palimpsesto escrevinhado, os nossos bonecos objectos, as nossas meditações, quase tudo o que é preciso no invólucro suspenso dos dias. Um diário como invólucro suspenso dos dias. Isto não quer dizer nada, como é evidente, mas não me lembro de nada melhor. Esgotei os bonecos, parti a louça. Uma das entradas dos diários de Kafka: "9 de Março (1923): Utilizar o ginete do agressor para a sua própria cavalaria. Única possibilidade. Mas quantas forças e destreza tal não exige? E como já é tarde!"

[fui acompanhante de uma ida à mercearia e ainda providenciei o regresso da tal assistência técnica por mecanismo de garantia]

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

dia treze

O meu coração bate, bate e bate com(o) “a chicken with its head cut off”, e depois, já sem nada para bater, debate-se freneticamente no teclado do computador e liga-se, por assim dizer, a uma data de coisas sem destino nenhum, preenchendo enganosamente volumetrias, assim mesmo, de tempo, que não são brincadeira, numa transumância que só pode desaguar em adjectivo.
 De manhã leu-se.
A cabeça (agora) recorda 27 Fevereiro de 2007:
Sonhei com Itália. A princípio não o soube, mas era Milão, era, recordo uma ponte (que ao que tudo indica (re)conhecia), única, e uma estação de comboios difusa [?] e desconexa da realidade, na tentativa de lá chegar. Depois sonhei com nomes de outras cidades, Génova, Turim, Roma. Segundo creio fui a Roma (mas havia mar), andei por subterrâneos, através de perseguições, e em viadutos e pontes, trabalhei em hotéis, onde após exercícios físicos intermináveis já não tinha tempo para me alimentar convenientemente (…)