Zzzz… onde fica o lá fora? Não fui correr, nem dentro da
casota. Demorei a adormecer (isto ontem que já era hoje). A insónia era em forma de livro.
Escrevi de um golpe o guião da primeira página e deixei no ar várias ligações
que determinariam a sua sequência, tudo mentalmente, no escuro, a páginas
tantas, não acontecia nada, não saia daquela página, embora o guião ganhasse
contornos de incunábulo mental, cada vez mais pesado, vogando por geografias
indemonstráveis a olho nu, e eu no escuro, com o pijama do super-homem (os cães
gostam dessas merdas) electrificado pelo calor da cama. De fora devia ser
bonito, mas para se ver seria necessário ter à mão aqueles óculos com infravermelhos
como se vê nos filmes americanos. Fui mijar. Foi preciso acender a luz.
Acender? Assim a olho tinha a cabeça cheia e ao mesmo tempo vazia. Este paradoxo
acompanhou-me de volta à cama. Estava escuro outra vez. Zzzzz…
segunda-feira, 30 de março de 2020
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