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quarta-feira, 5 de julho de 2017

ZZZZzzzztobecontinuedzzzzzlalá

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terça-feira, 6 de junho de 2017

dia de treino

ZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzz

Acordar. Tentar adormecer. Pensar na vida. Não adormecer. Ligar o telele. Pensar na vida. Responder a uma mensagem. Levantar a alma em direcção a uma mija. Beber água. Deitar o corpo sem a alma. Ver cenas no telele. Pensar na vida. Programar os pensamentos em direcção à realidade. Qual? Levantar e tomar o pequeno-almoço do costume (deixem passar). Ligar o computador. Limpar o quarto, o escritório do divã, a sala, os livros. Ir ao computador entretanto. Meter uma música fetiche…deu Oasis, meu deus, deu oasis, aquela cena do wonderwall. Não ter vergonha. Parar. Continuar. Devolver uma chamada. Comer sopa e uma sandes mista (queijo e chouro). Pensar em cortar os pulsos. Brincadeira. Ler umas merdas. Tipo livro. Descer a ligar o carro. Comprar duas camisolas fixes de manga curta. Comprar provisões para a casota. Comprar umas cenas para um puto da família lá longe. Pensar na prenda do irmão. Subir com o mundo todo nas escadas rolantes. Chegar. Onde? À casota. Cortar o pêlo e pagar. Casota outra vez. Tomar duche e cortar os pêlos restantes do focinho. Ler umas merdas (tipo livro). Comer uma sandes. Cortar os pulsos em pensamento. Levar a reciclagem. Beber uma cerveja. Fazer sopa e bacalhau à gomes do caralho com brócolos para dois dias. Comer. Beber. Cagar. Fumar um, dois, três cigarros de enrolar. Chegar aqui, onde?, aqui, cansado de um dia de folga. Quer dizer, de treino. Ou isso…

domingo, 28 de maio de 2017

"Só podemos abusar das coisas que são boas...

ou... todos os abusos do mundo resultam do facto de nos ensinarem a ter medo da nossa ignorância".
Deixo-vos com estas reflexões sentenciosas, aparentemente contraditórias na sua complementariedade. Escreveu-as Montaigne, parece que o estou a ver, na sua torre, a sonhar com a cabana de Ludwig Wittgenstein, mas posso estar engando. De qualquer forma:


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

a descrição da infelicidade

Foi mais ou menos assim: eu tinha acordado por volta das 4h da madrugada. Olhei o relógio e sorri, lembro-me bem. A cena seguinte foi já devidamente embalada pelo sistema sonoro fornecido pelo antiguinho blackberry, de cuja garganta tudo se pode esperar. Saltei e vociferei o costumeiro “não acredito”. Na terceira cena deste episódio já tinha as calças e trinte camadas de roupa a guarnecer-me o corpo. Lá fora a escuridão gelada não dava tréguas (imaginei). Engoli meio croissant do dia anterior mais ou menos à pressão do chá verde. Por que carga de água tinha eu que me deslocar ao trabalho àquela hora? Sete, sete e picos. Já não recordava bem a razão, mas sabia que tudo aquilo fazia parte de uma conspiração internacional articulada com uma conspiração cósmica de cariz um tanto ou quanto religioso. Corri para apanhar a boleia enquanto matutava nisto, naquilo e naqueloutro. A coisa foi relativamente rápida, quando dei por mim tinha o corpinho outra vez em casa e uma longa fila de merdas para fazer, não fosse este o dia mais cumprido do ano. A saber: lavar e secar roupa; proceder à lavagem, praticamente total, da casota; arrumação de umas cenas que incluíam livros (gritos!!!!!); confecção de uma sopa onde um dos ingredientes principais seria o nabo; banho e corte dos pêlos faciais; almoço tardio; leitura e observação (possivelmente) de um filme. Refundir as séries para mais logo. Organizar outras cenas. Enquanto escrevo “outras cenas” ganho coragem para, humildemente, mergulhar no caos mais generalizado ou na descrição da infelicidade, segundo W.G. Sebald. Acho que vou optar pela segunda, ou, quem sabe, misturar tudo. Gosto de dias assim, dias de alma ocupada. Ou isso. Bem hajam. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

apesar de tudo

comprar laranjas, não, ainda tenho tangerinas, alguma fruta, vá lá, um nabo, sim, batatas, cenouras, tenho couve no frigorífico, fazer a sopa, ah!, com feijão vermelho na base, preparar o estufado de vaca com cenoura (e feijão vermelho!), fazer a mais para marmitar, como encaixar aqui o jogo do Sporting com os polacos, ah?, ouvindo o relato, sei lá, beber uma cerveja, isso não esqueces, pois não?, comer, escrever um poema que será um épico chamado "ROTO", - já começado, aliás, passear um pouco; e aquela cena dos presentes para aumentar a felicidade simulada do espaço público cognitivo? - feito. Acho. Levantar as costas, ler um pouco, quem sabe?, tomar duche a meio da tarde. Não prever.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

perguntar eleva

hoje acordei (de folga), a garganta o nariz os lábios colados. Sentia tudo. Tomei o respectivo veneno para desopilar as dores, as artérias, o pingo, coisas assim. Bebi chá preto e ingeri um croissant nojento com dois dias. Uma cena vermelha saída de um frasco coloriu esse croissant. Nesse frasco poderíamos ler, se quiséssemos, doce de tomate. Então peguei em três livros (um de poesia) e fui-me deitar. Aí chegado ainda esbracejei mas era demasiado tarde. A luz entrava toda e ainda descobri umas coisas sobre "pontos de interrogação". Eu já volto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

a análise

Prefiro acreditar que a complexa ingenuidade das pessoas se reveste de critérios suficientemente etéreos para serem aqui chamados. Meus caros, dizem-nos (às vezes) que a ingenuidade (e mesmo a estupidez), não se pagam caro, pelo contrário, dizem-nos (às vezes) que estas seriam parte integrante da sólida estruturação estratificada (deixem passar) do mundo que nos rodeia, onde as superestruturas capitalistas, como diria o Baudrillard, se solidificaram de uma forma que faz lembrar a bucha química, isto é, a parede até pode ruir mas a parte chumbada pouco se importa com isso e não se recente. É por isso que prefiro a figura dos critérios etéreos como explicação singela sem recurso à análise de dados qualitativos, ou isso. Por vezes, lá aparece a América do Arizona, do Texas, do Ohio, do Nebrasca, mesmo em filmes estes aparecem amiúde com cavalos a aconchegar a fotografia, e nem sempre a acção decorre no séc. XIX. Se repararmos bem, observamos que aos poucos foram desaparecendo uns índios, e nisso precederam o desaparecimento inexorável das abelhas, motivo pelo qual se fazem colóquios ambientais em hotéis de 5 estrelas. Pretender conhecer a América através duns posters nova-iorquinos, da Califórnia, ou mesmo de Chicago, é não saber, como diria Al Capone, onde raio fica o Canadá. E o Canadá, asseguro-vos, até fica perto. Só é pena o aparecimento de surpresa do “Piloto”, agora conhecido como cidadão Pedro Dias, em directo para as televisões, ofuscando assim a vitória de Trump ali ao lado, quer dizer, perto do Canadá.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

dia não sei quantos à segundo por um caso: essa cena de escrever como é?

Olha, um dia qualquer escreveu assim Evelyn Waugh: claro que isto era uma maçada, bem como a hora que se seguia, durante a qual, por entre caminhos concêntricos de asfalto muito gasto, umas couves melancólicas mostravam as cabeças. Agora vou ali ver do bacalhau...

domingo, 26 de julho de 2015

dia não sei quantos finalmente domingo: pensar nisso

Depois estive a ler uma história do Donald Barthelme chamada Pepperoni. Depois li outra que se chamava relâmpago (escrevi ao lado da palavra relâmpago no cimo da página: reler). Gostei tanto da estória chamada relâmpago do Donald Barthelme que pensei em fazer umas camisolas de manga curta com um estampado a dizer: RELÂMPAGO UMA GRANDE ESTÓRIA DO DONALD BARTHELME. Depois estive a ler uma história do Donald Barthelme denominada capitão Blood e gostei muito. Antes disso estivera a ler uma história do Donald Barthelme chamada porcos-espinhos na universidade [risinhos]. Depois, ou  antes de, ainda li uma história do Donald Barthelme que se chamava rua 61, número 110, e uma outra história chamada noites passadas em muitas cidades distantes. Saltei com uma vara a história do Donald Barthelme chamada o filme e cometi um grave erro quando folheei (chegando mesmo a ler) um livro do Montaigne, pequeno vade-mécum, uma cena que a antígona regurgitou dos ensaios. Corre-se um grande risco ao ler o Montaigne, porque o Montaigne dá mesmo aquela sensação que se pode aprender (ou mesmo a reflectir em) alguma coisa. Isto quendo se está a ler. Depois já não sei. Mas quando se está a ler parece mesmo que se pode aprender (ou mesmo saber) alguma coisa, o que se revela a todos títulos perigosíssimo, mesmo muito, correndo-se o risco de acabar numa torre rodeado de livros e de cenas escritas nas paredes, ou mesmo rodeado de criados e criadas para todo o serviço, ficando-se com tempo de sobra para ler e escrever umas merdas, incluindo nas paredes, nunca em camisolas de manga curta, ou mesmo ter tempo de sobra para passear nos campos e planear uma investida às ameias para investigar os céus (são muitos e variados) em noites de luar. Com o Donald Barthelme não se corre qualquer risco, a vida caminha naturalmente para desaguar na morte. Alguns de nós andavam a ameaçar o nosso amigo Colby, assim se chamava uma história que li recentemente do Donald Barthelme. Nesta, os amigos de Colby decidem enforcá-lo, porque este teria ido longe demais. Colby terá ripostado que só porque fora longe demais (não o negava), isso não queria dizer que o devessem enforcar. Toda a gente ia longe demais uma vez por outra. Os amigos de Colby não ligaram muito a essa argumentação. Perguntaram-lhe que género de música ele gostaria de ouvir tocar no enforcamento. Colby respondeu que ia pensar no assunto, mas que ia levar algum tempo a decidir. 

Donald Barthelme recusando-se a olhar para esta caricatura (de mau gosto) de Montaigne com uma cerveja não mãos e tal...
  

terça-feira, 30 de junho de 2015

dia nãos sei quantos à terça: el perro

Um dia escreveu assim William Carlos Williams (mais conhecido por WCw): Que a víbora espere sob/ as ervas daninhas / e a escrita / se faça de palavras, lentas e rápidas/ prontas ao ataque, aguardando pacientemente,/  em vigília. Enquanto a víbora espera sob as ervas daninhas, ou isso, vou ali ver da preparação do bacalhau no forno com tomate.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

dia não sei quantos quarta mas aprece domingo: agora imaginem uma pata...

Um dia escreveu assim Dylan Thomas : a mão ao assinar este papel arrasou uma cidade; / cinco dedos soberanos lançaram a sua taxa sobre a respiração; / duplicaram o globo dos mortos e reduziram a metade um país (...) eu já volto com a revolta provocada pela qualidade dos livrinhos da Assírio& Alvim, aquelas edições bilingue dos idos noventas, umas merdas brochadas e que descolavam à primeira abertura, ou manuseamento, como de diz na apresentação de livros, por exemplo, na fnaque (acho que). Eu já volto.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

dia não sei quantos à quinta: isso ou?

A coisa não foi bem assim, ou melhor, terá sido, entretanto, afiguram-se dois dias inteiros de desperdícios de solas mentais, isso ou outra coisa qualquer. Terá começado com a caminhada (trabalho - casota) em silencioso solilóquio de ontem à noite, ou talvez antes, materializada em pequenas manifestações pueris projetando estados de espíritos vindouros, isso ou outra coisa qualquer. Justiça seja feita a essas unidades celulares neuronais que nos despejam projeções, festins, viagens e outras deslocações sem sair da penumbra, justiça à esperança que recusa terminantemente o uso de pulseira eletrónica iludindo-se de liberdades rapinadas ao momento, isso ou outra coisa qualquer. Vivemos a cavalo de acontecimentos que nos descarregam em aplicações vulgares, apenas atenuados por esse sucedâneo da indiferença crónica que dá pelo nome de modernidade, isso ou outra coisa qualquer. Acabei por sair de casa depois do chá com pão fresco, arrumei o corpo ao sol, que bom que sua isto, um café faz favor, os livros no balcão, a prenda a tiracolo para a progenitora, um gafarrão da (deixem passar) água três latas de cerveja um compal de pêssego de litro a garrafa de vinho, uma sopa tardia, tudo igual ao litro, isso ou outra coisa qualquer. Depois fui ler umas merdas.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

dia não sei quantos à segunda: o cabo da enchada (não confundir com encinho)

Duchar por volta das 14h [risinhos], depois de mandar abaixo uma sopinha de agrião, acompanhada daquele pão do mini a imitar os seus antepassados, devidamente barrado com manteiga açoriana. Não foi fácil chegar aí: de sonho em sonho dei comigo a tilintar junto com o despertador acoplado à tabuleta limpeza da cozinha. Virei logo à direita, expus argumentação suficiente para renovar os votos da confraria da treta, cedi a paixões funestas do desvario, intercedi junto a nossa senhora das sopeiras. Debalde. Ou de enxada. Acabei a cheirar a lixivia e ainda ganhei um bónus que dizia limpeza do escritório, isso enquanto pensava na décima sexta, uma merda tão simples como uma frase musical, lá diria o Rimbaud. Lá está. 

a tal força em versão polaroid 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

dia não sei quantos quarta: é mais ou menos isto

Abrir o olho, beber um copo de água, abrir o outro olho, voltar por momentos ao escuro, aquecer água para um chá preto, carbonizar a torrada, comer tudo e beber tudo enquanto se faz uma ligação à terra através de um objecto rectangular com ecrã, rir-se da capa do jornal desportivo bolenfica, esquecer a ligação à terra, pensar uma pequena lista de compras na mercearia e já estará na hora do fluroato de fluticasona e do budesonida/fumarato de formoterol di-hidratado; começar uma segunda fase de indecisões apriorísticas… retomar o fio à meada debaixo da tal mesa de centro usada como suporte de candeeiro, vestir o fato de treino ir ao pão fresco, voltar chegar a casa fazer três flexões upa upa duchar que se faz tarde, não sem antes pensar na vida este mês o próximo que merda, não será bem assim… escrever: abrir o olho, beber um copo de água... [a agora talvez ler umas merdas]

quinta-feira, 7 de maio de 2015

dia não sei quantos quinta: andar na zona

tudo é mais difícil quando se é homem feito, diz-nos Énard, ou Yvan Deroy ou Francis Servain Mirkovic, a vida o corpo assemelham-se a recipientes, nem sempre etiquetados que ora se vão enchendo ora esvaziando - hoje levantei-me cedo  num despertar agitado de sonhos ainda a aflorarem listagens de merdas para fazer ensacadas sem sentido e dispersas no escuro, levantei-me de encontro ao sol ao chá à torrada, tratar de vida, quantos metros quadrados terá esta desordem?, a minha a da casa, ambas a mesma, olho agora lá para fora, estou ali  junto à janela a ler um livro sentado na poltrona verde garrafa, o mesmo sol cativo a entrar, um sol de encolher de ombros, nada basta, nada chega, volto ao livro, tudo é mais difícil quando se é homem feito, ou cão, dá igual…

segunda-feira, 4 de maio de 2015

dia não sei quantos segunda: esquece

E assim vai...continua(va)m a soar as horas da chuva, sair com o carro, ir além, tão bom seria ficar em casa!, mas estava marcado, bacalhoar um bocadinho, mais um dia com nome, desta vez chama-se folga, depois terei lido umas cinquenta páginas de Zona, escrevinhei um poema mental que começava (acho) com um chovia que deus a dava, ou seria o começo de um conto?, de qualquer modo a fartura espraiava-se na vidraça, tocada a vento, um poema da natureza, fiquei ali a dar pensamentos ao desbarato, as árvores a arfarem lá fora, pensei noutro poema, este antigo, as árvores a arfarem como poentes loucos, devo ter sorrido de encontro à janela, tanta água, tanta água, pensei eu, que bem que faria perder-me num comboio como o tipo de Zona, ou melhor, perder-me numa viagem de comboio com esse livro nas mãos, toda a Europa ali, assassinada, a chuva de repente sangue, a sério, paragens em gares com nomes esquisitos, nessa altura o poema iria na parte morríamos todos juntos, /a cada instante /lavrado na insignificância, a morte numa imobilidade de azulejos, a morte imortalizada, e voltar depois à sorte desta vidraça, deste momento, da hesitação entre ir buscar o tal livro em falta, ou simplesmente esquecer...