terça-feira, 30 de abril de 2013

dia não sei quantos 299: meandros


A insistência acaba por chegar em forma de bola no poste. Não reclamamos, após uma insónia de ansiedade duvidosa, tacticamente a noite derivou para a vantagem ofensiva dos sonhos, estava lá o inspector, havia acabado de almoçar, o inspector vestia de gente normal, de repente uns traços familiares irromperam na face do inspector, não hesitei e retirei logo parte da consciência da proposta de alargamento que se avizinhava. De manhã, em sentido inverso, deu-me para ler umas revistas retardadas, eheheh, deu-me para a anacronia de dois dias, ou três, uma altíssima competição que faço comigo mesmo, o próprio (deixem passar). Fui-me ao biscate técnico, duchei, encaro os desafios com mais uma carta de recomendação optimizada, ou foi ontem?, vitae, menina não quer que envie o vitae?, pode enviar se quiser, sabe que isto é uma coisa muito específica, a aposta é sobretudo na área do pagamento por contra de outrem, que não nós, próprios (deixe passar, acrescentou), eu já volto, olhe pode enviar, a morada é tal, a gente depois liga. É um conforto sabê-lo.    

segunda-feira, 29 de abril de 2013

dia não sei quantos 298: pus-me, quase logo, a procurar outro método


Estava eu a pensar em terminar o meu ensaio sobre a ociosidade desbotada e sob o signo de uma sensibilidade próxima do paralelepípedo, quando remotos vislumbramentos do futuro se anunciaram com tal estoiro que até a vizinha da ladeira se atormentou no seu posto de vigia permanente, ao ponto de accionar o controlo manual de controlo (deixem ir, faz sentido) do que se passa na ladeira e arredores. Posto isto, o futuro é agora…já, antes que uma gangrena silenciosa se insinue nestas penumbras acicatadas por restos de sílica (deixem passar, por favor) que reencaminham os feixes de luz em direcções imprevisíveis como o caralho, basta pensar na praia, aquela quantidade toda de sílica e restos de conchas e minerais, merda, cocó dos bichos de aquém e de além mar, é igualzinho aqui, só que com mais sombras. Entretanto fui correr…yupii…não tarda vou ler umas merdas do Beckett e já volto. 

domingo, 28 de abril de 2013

sábado, 27 de abril de 2013

dia não sei quantos 296: comer qualquer coisa, ou isso


Também está bem: antecipação da limpeza da casota - um sábado como os demais seres humanos, aposta aí que ainda vamos ao mercado, madruguices, um desenjoo original, chá preto, torradas com manteiga e marmelada, que cheirinho, Cranes na grafonola, um ventinho amistoso a recordar-nos que tudo levou e levará, um azul envergonhado a tolher o céu de quimeras novas. Depois logo se vê.

[voltar a ler/corrigir a cena, ou amanhã?; listagem de compras extra; aguardar a presença de seres humanos bem-vindos à casota; comer qualquer coisa] 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

dia não sei quantos 295: precisamos normalmente de rumar


Vamos em frente, é olhar em frente, não podemos ficar no meio da ponte, esta está armadilhada, quem o diz é Ivo Andrić, gosto do acento agudo no C, deixem passar, a poda lá vai dando resultados embora com algumas ramificações laterais, crescimento para os lados, nunca pior, sabemos, como sugeriu Montalbán, que o movimento se demonstra fugindo, não andando, isto numa perspectiva gerónimiana sempre contaminada pelo lado cão. Fui ver do jornal e não o vi. Passei remotamente sobre a ladeira, sem deixar rasto. Ora, onze horas e cinquenta e muitos, doze horas e poucos, vou duchar ou fazer a puta da cama? 
Até jazz.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

dia não sei quantos 294: a senha


PA a atravessar a ponte. Quem? O PA a atravessar a ponte. Onde estás, no castelo? K. de Cão está contigo? PA lá vai a atravessar a ponte, caralho! Caralho não é a senha, cambio. Cambio também não, caralho. [ridos abafados] PA é que tem que dizer a senha. K. de Cão está aí?...

Entretanto acordei sem saber o caralho da senha, também tenho outro sonho marado, um jantar ou um almoço com cadeirinhas de terra, a mesa um monte de terra rectangular, mas agora tenho que ir acolá ver de uma situação que me encaminhe para o biscate técnico. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

dia não sei quantos 293: para um novo dia


Não estou calmo. Uma vez Manuel António Pina escreveu assim: Serei capaz / de não ter medo de nada, / nem de algumas palavras juntas? Estava aqui a pensar nisso...

terça-feira, 23 de abril de 2013

dia não sei quantos 292: apresento-vos agora


Em harmonia com alguns aspectos metacognitivos, deixo a análise destes últimos dias e suas interactivas contingências para os próximos anos. Entretanto, manifesto total consonância com o biscate técnico de grau menos um, nada se sobrepõem a uma manhã cujo desenrolar aflora apenas (n)uma e só (deixem passar) (n)uma temática. Não fui correr. Voltei ao chá verde. Não telefonei a ninguém para saber das remodelações meditabundas, aposto que o tasco da estrada velha vai estar cheio.