A insistência acaba por chegar em forma de bola no
poste. Não reclamamos, após uma insónia de ansiedade duvidosa, tacticamente a
noite derivou para a vantagem ofensiva dos sonhos, estava lá o inspector, havia
acabado de almoçar, o inspector vestia de gente normal, de repente uns traços
familiares irromperam na face do inspector, não hesitei e retirei logo parte da
consciência da proposta de alargamento que se avizinhava. De manhã, em sentido
inverso, deu-me para ler umas revistas retardadas, eheheh, deu-me para a
anacronia de dois dias, ou três, uma altíssima competição que faço comigo
mesmo, o próprio (deixem passar). Fui-me ao biscate técnico, duchei, encaro os
desafios com mais uma carta de recomendação optimizada, ou foi ontem?, vitae,
menina não quer que envie o vitae?, pode enviar se quiser, sabe que isto é uma
coisa muito específica, a aposta é sobretudo na área do pagamento por contra de
outrem, que não nós, próprios (deixe passar, acrescentou), eu já volto, olhe
pode enviar, a morada é tal, a gente depois liga. É um conforto sabê-lo.
terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
dia não sei quantos 298: pus-me, quase logo, a procurar outro método
Estava eu a pensar em terminar o meu ensaio sobre a ociosidade desbotada e sob o signo de uma sensibilidade
próxima do paralelepípedo, quando remotos vislumbramentos do futuro se
anunciaram com tal estoiro que até a vizinha da ladeira se atormentou no seu
posto de vigia permanente, ao ponto de accionar o controlo manual de controlo (deixem
ir, faz sentido) do que se passa na ladeira e arredores. Posto isto, o futuro é
agora…já, antes que uma gangrena silenciosa se insinue nestas penumbras
acicatadas por restos de sílica (deixem passar, por favor) que reencaminham os
feixes de luz em direcções imprevisíveis como o caralho, basta pensar na praia,
aquela quantidade toda de sílica e restos de conchas e minerais, merda, cocó
dos bichos de aquém e de além mar, é igualzinho aqui, só que com mais sombras.
Entretanto fui correr…yupii…não tarda vou ler umas merdas do Beckett e
já volto.
domingo, 28 de abril de 2013
dia não sei quantos 297: zzzzZZZ
zzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZnáuseazzzzzzzzzzzzzzzzzuizzzzaizzzzokzzzz
sábado, 27 de abril de 2013
dia não sei quantos 296: comer qualquer coisa, ou isso
Também está bem: antecipação da limpeza da casota - um
sábado como os demais seres humanos, aposta aí que ainda vamos ao mercado,
madruguices, um desenjoo original, chá preto, torradas com manteiga e
marmelada, que cheirinho, Cranes na grafonola, um ventinho amistoso a
recordar-nos que tudo levou e levará, um azul envergonhado a tolher o céu de
quimeras novas. Depois logo se vê.
[voltar a ler/corrigir a cena, ou amanhã?; listagem de compras
extra; aguardar a presença de seres humanos bem-vindos à casota; comer qualquer coisa]
sexta-feira, 26 de abril de 2013
dia não sei quantos 295: precisamos normalmente de rumar
Vamos em frente, é olhar em frente, não
podemos ficar no meio da ponte, esta está armadilhada, quem o diz é Ivo Andrić,
gosto do acento agudo no C, deixem passar, a poda lá vai dando resultados
embora com algumas ramificações laterais, crescimento para os lados, nunca
pior, sabemos, como sugeriu Montalbán, que o movimento se demonstra fugindo,
não andando, isto numa perspectiva gerónimiana sempre contaminada pelo lado
cão. Fui ver do jornal e não o vi. Passei remotamente sobre a ladeira, sem
deixar rasto. Ora, onze horas e cinquenta e muitos, doze horas e poucos, vou duchar ou fazer a puta
da cama?
Até jazz.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
dia não sei quantos 294: a senha
PA a atravessar a
ponte. Quem? O PA a atravessar a ponte. Onde estás, no castelo? K. de Cão está
contigo? PA lá vai a atravessar a ponte, caralho! Caralho não é a senha,
cambio. Cambio também não, caralho. [ridos abafados] PA é que tem que dizer a
senha. K. de Cão está aí?...
Entretanto acordei sem saber o caralho da senha, também
tenho outro sonho marado, um jantar ou um almoço com cadeirinhas de terra, a mesa um monte
de terra rectangular, mas agora tenho que ir acolá ver de uma situação que me
encaminhe para o biscate técnico.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
dia não sei quantos 293: para um novo dia
Não estou calmo. Uma vez Manuel António Pina escreveu
assim: Serei capaz / de não ter medo de
nada, / nem de algumas palavras juntas? Estava aqui a pensar nisso...
terça-feira, 23 de abril de 2013
dia não sei quantos 292: apresento-vos agora
Em harmonia com alguns aspectos metacognitivos, deixo a análise destes
últimos dias e suas interactivas contingências para os próximos anos.
Entretanto, manifesto total consonância com o biscate técnico de grau menos um,
nada se sobrepõem a uma manhã cujo desenrolar aflora apenas (n)uma e só (deixem
passar) (n)uma temática. Não fui correr. Voltei ao chá verde. Não telefonei a
ninguém para saber das remodelações meditabundas, aposto que o tasco da estrada
velha vai estar cheio.
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