sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 218: já para não falar na conta da luz


Não está fácil retomar as hostilidades, o teatro de operações está totalmente imbecilizado e o caos reparte a temporada com as almas perdidas que vogam por aí, posto isto, acordei cedo, levantei-me, deitei-me, desenjoei, fiz planos, perguntei ao saco pela mochila verde, fui ver do jornal, fiquei fodido, voltei. Vamos adiar os projecto sérios lá para meados da semana.  É isto...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 217: miolos à paisana


Mal abri o olho disfarcei logo, fiufiuufiu [assobio interior], mas tarde – quanto? – fiquei com o mesmo olho aberto no escuro, é fixe estar de olho aberto no escuro, lá veio a persiana a reportar a luz, ou será o caralho de um estore?, eu paralisado, há animais que fazem isso para passar despercebidos, a pensar, isto vai começar bem, vai vai, depois escutei claramente o Calimero, es una injusticia, es una injusticia o caralho!, devo ter respondido e levantei-me, não sem antes trancar a mioleira e outros veículos transportadores de seiva essencial a quaisquer manipulas perversas exógenas. Já vos fodo, pensei, e fui malhar um chá preto. 

[querem ver: agora vou correr vinte minutos – não está fácil]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 216: o utente deverá fazer-se acompanhar de si próprio


Já estarei a descampar, é um momento que contem todos os anteriores e, todavia, desconfio, congemino vertigens para rebaptizar cada momento como sendo único…eh…eh…eh, revisito mentalmente um monte de merdas, hesito, ainda agora pensava em ir andar por aí para não chatear os cornos, antes fui correr meia horita, não deu para mais, tenho pendor para emprenhar os sentidos de merdas desnecessárias, informação rapinada, ideias, às três por quatro vou ler qualquer coisa, o mais certo é isso. Está a correr bem este dia, está.

[não vou responder à cena da... por motivos de urgência]

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 215: o agitado braço da noite


No sonho, um tipo sai de casa e começa a correr, logo às primeiras passadas, em fundo, o “Second Skin” dos Chameleons – ele há coincidências do caralho! – primeiro aquele silêncio musicado de alguns segundos e depois a guitarra, e lá vai ele indiferente a tudo durante cerca de seis minutos e cinquenta e tal segundos, entretanto, em seu redor uma luz amarela invade cada centímetro de terreno e cada centímetro de ar, ele continua a correr, talvez essa luz afinal seja cinzenta, para sermos mais precisos, infestando cada centímetro de terreno e cada centímetro de ar, de forma que todas as pessoas desaparecem nesse jogo de sombras. Após os seis minutos e cinquenta e tal segundos, à sua direita, uma rulote grafitada entre vegetação vadia configura a ruína do local, além, muito depois das árvores, restos de um circo e de carros de choque – esta imagem não é precisa – e de repente começa a aparecer gente de todos os lados, cada vez mais gente, formando, se nos é permitida uma vista área, um gigantesco painel publicitário. É nesse momento que ele acorda, sem saber qual a imagem do painel, mas com um foda-se acoplado aos lábios: embora lá subir a puta da ladeira. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 214: do verde abrigo, em força


A cena do Hölderlin que começa assim: todos os dias saio em busca de algo diferente, depois continua assim: Demandei-o há muito por todos os atalhos destes campos; / Além nos cumes frescos visito as sombras, / E as fontes; o espírito erra dos cimos para a planície, / Implorando sossego; tal como o animal ferido se refugia nas florestas, / Onde antes repousava pelo meio-dia à sua sombra, fora de perigo; / Mas o seu verde abrigo já lhe não dá novas forças, / O espinho cravado fá-lo gemer e tira-lhe o sono, / De nada servem o calor da luz nem a frescura da noite, / E em vão mergulha as feridas nas ondas da torrente. / E tal como é inútil à terra oferecer-lhe a agradável / erva curativa e nenhum zéfiro consegue estancar o sangue que fermenta, / O mesmo me acontece, caríssimos! Assim parece, e não haverá ninguém / Que possa aliviar-me da tristeza do meu sonho?
Eu poderia eventualmente continuar mas tal se afigura de todo impossível, o Hölderlin na cena do pranto de Ménon por Diotima é bem gajo para nos deixar com a cabeça toda fodida, ou isso. 

[entretanto, após a leitura de um clássico...eh...eh... fui correr com a minha segunda pele: tralalalala.]

domingo, 3 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 213: zZz imagem não disponível

Após a ode ao porco com passagem a páginas tantas por Gadus morhua, - mas isso não terá sido de tarde?, fomos para além cervejar, e um caos calmo acavalitou-se entre outras bebidas dignas de um serão espirituoso, mas de certa forma curto após o qual: ZZzzzzznáuseazzzzzzzzzzzzZzzzzzz...

[agora vou ali ler uma cena do Hölderlin que começa assim: todos os dias saio em busca de algo diferente. Depois vou continuar com o asseio da casota]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

dia não sei quantos 211: cervisam bonam...bonam


Caro diário, seja eu louco se hoje não é sexta-feira, dia de adiar projectos em lume brando para segunda-feira, esse dia benevolente a todo o tipo de erupções incluindo as cutâneas e por osmose as cerebrais, assim sendo, em velocidade estratosférica de cruzeiro tenho dois planos em mente lenta, dois projectos, o primeiro e o segundo, e não necessariamente por esta ordem, o primeiro seria retomar aquela cena do projecto que já sangrou não sei quantas reuniões, devaneios, passeios ao luar e outras merdas que dão trabalho, o outro, já não sei se o segundo ou o primeiro, é dar prossecução àquela merda gangrenosa e vetusta que assenta em não ganhar dinheiro mas fazer de conta que se faz coisas de que se gosta, mesmo fazendo as coisas de que se gosta mas sem a paciência disciplinar para o fazer, isto é, a conta gotas, é como escrever merdas em páginas brancas ou nos cantos dos guardanapos, já vi muito poeta curvado sobre uma mesa – curvado é importante – a fazer isso em pastelarias, nomeadamente. Agora merdas importantes: segundo Braudel, o Império Romano gostava pouco de cerveja, por exemplo, o imperador Júlio, o Apóstata (381-363) bebeu-a apenas uma vez e dizia mal dela [as merdas que o Fernand conseguiu saber]. Sim, mas eis que em Trier, no século IV, podíamos observar toneis de cerveja, bebida dos pobres e dos bárbaros, e no tempo de Carlos magno, está presente em todo o eu império e nos seus palácios, onde os mestres cervejeiros estão encarregados de fabricar boa cerveja, cervisam bonam…facere debeant



[Braudel: aqui durante o seu trabalho dedicado ao estudo da cerveja e outras bebidas]