segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 179: continua

ZZZZZZZZzzzzzeu desejava qualquer coisa, esgotar o stock, principiar um novo, manter a boa disposição, em particular nas situações em que o mercado não está para ai virado, nesse sentido, pela sua delicadeza e complexidade, devemos tentar desfrutar dentro das possibilidades, extravasando essas possibilidades sempre que possível, e mesmo não sendo muito possível. Estaleca. Tentar trocar as voltas. Embora comer uma bucha.

domingo, 30 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 178: treinozzzzz

Foi accionar o mecanismo da viagem, deixar ali a mochila e ir para o treino. Do treino não reza a historia. Depois:ZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzfriozzzzz

sábado, 29 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 177: ajoujar a cavalgadura


Não fomos ao fundo da questão, na verdade tentamos dormir sobre o assunto, o telefone havia tocado, do outro lado uma voz feminina anunciava com determinação timbrada à máquina qualquer coisa para o ano, assuntos pendentes, cartas enviadas, respostas sem esclarecimento mútuo, ficamos assim, eu a pensar naquela voz de rádio, de rádio não, aparentada talvez com uma voz de rádio, todavia, metálica, seca e repetitiva, uma voz de alguém que passa a vida ao telefone, uma voz que poderá porventura anunciar a nossa morte sem pestanejar, enquanto observa a agenda de soslaio. Ela talvez a pensar na próxima marcação, na hora de saída, no jantar a dois de logo mais. Não dei idade àquela voz, entretanto terei lido qualquer coisa, terei passeado, terei bebido uma ou duas cervejas, terei dormido sobre tudo isto, pesadamente. Agora vou ali ver da mochila. Conhecem a mochila do Sebald? Ah, pois. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 176: o cão atesta esta história*


Neste caso é oficial: um tipo sai(u) da cama para logo voltar, está sol, entra pela janela, o tipo agradece, desenjoa com um chá preto e pão-de-ló a tiracolo [risinhos], agora mesmo terá acabado de ler um livro, terá manejado revistas, certamente pensou na vida, move-se agora com a placidez de um gato com alma de recluso, um gato geneticamente modificado, o verdadeiro dir-se-ia que o observa com carinho, sempre com ternura, já não está aqui quem falou, e segue a sua vida. Agora observamos claramente esse tipo ao computador, está a coçar-se sorrateiramente num local despropositado, tecla coisas mais ou menos com sentido, ainda agora teclou ainda agora. Esta cena, estes dias, o cenário, o tal cenário que faz lembrar o Dogville, o sonho que não é sonho, o desenho distorcido, estar fora e dentro, foda-se, não é que estou a ver alguém teclar, não é que estou a ver alguém teclar, mas em momentos distintos, mas em momentos distintos. O nada pelo menos é sincero.

[também respondeu a um anúncio, mas já foi ontem. Não sei se conta?]

[*sentado no meio da estrada/ mas de nós não há memória/ dos lados não ficou nada - disse o Mário]

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 175: sua estética de simulação


Por exemplo, a cena destes dias, às vezes penso nisso com uma certeza carnívora, os exteriores e mesmo os interiores fazem lembrar cenários, não aqueles cenários realistas e pomposos, ou supostamente realistas mas igualmente pomposos, nem sequer aqueles espaços reais que simulam outros espaços reais como cenário de fundo, a cena dos western spaghetti na Andaluzia, ou isso, não, estes cenários recordam-me o Dogville ou o Manderlay do Trier, filmed in a studio with a minimal set, tudo tão óbvio que nos transporta para a narrativa, lá para dentro, mesmo lá para dentro, e a páginas tantas aquilo é mesmo real, mais real que a própria vida, aquilo ali não é teatro, mas algo com que nem o Baudrillard contava: a simulação de uma simulação. Este contrário é o quê?, o que vemos, vemos pelo olho da câmara, a câmara ali faz toda a diferença, mas depois esquecemo-la e o que resta são resíduos, contornos, espaços minúsculos misturados com pessoas, e essas pessoas são também décor, décor de si próprias ou se quisermos das próprias personagens. E entretanto começa a fazer sentido para quem entra por esses olhos dentro (por favor não liguem aos pleonasmos), e é assim que eu vejo estes dias, por uma espécie de câmara, os meu olhos, estou fora e ao mesmo tempo estou dentro, é como se fosse um sonho, tão obvio que parece um sonho mal desenhado, e um tipo está ali a dormir e percebe que está a sonhar, com a diferença que não estou a sonhar, mas lá que parece um desenho distorcido, parece. Não sei se me faço entender?
Já volto.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 174: a retirada do naturalismo greco-latino


Nem sei se foi isso, mas deve ter começado com uma sensação de frio, a janela a abrir, cedinho, um corpo assoma, meu caro, acho que foi assim. Depois a ladeira, a cena do hospital, a continuação das cargas na segurança social, um resto de manhã a amadurecer no supermercado, o caminho ligeiro para casa com o sol a dar-se a ares de aconchego ramerraneiro, ou isso. Entretanto, meu caro, já estou de saída, a cena dos livros, a cena do passe, o sol a descer na sua sabedoria milenar. Ou nem isso.  

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

dia não sei quantos 172: já fica


Ora deixa cá ver, caro diário, este foi um ano, aaah…o quê?, a passagem do ano é só para a semana?, mas qual passagem?, ah, a nossa, está bem mas, por exemplo, o exemplo do fim do mundo Maia, quer dizer, não era apenas o fim do mundo Maia, ou melhor, apenas o mundo Maia é que realmente acabou, ou quase, e não foi este mês, se calhar era isso que eles pretendiam, que alguém se lembrasse que o mundo para alguns povos realmente acaba, deveríamos, segundo os Maias – acho que era isso que eles desejavam – reflectir sobre esses mundos que acabam, sobre esses povos que se perdem na memória, afinal esses mundos e afinal esses povos têm pessoas lá dentro, ou isso. Cada dia é um novo dia, com passagem ou não para outro dia. A não passagem pode ser fodida. 
[agora vou ali ler os Tristes Trópicos]