sexta-feira, 8 de março de 2013

dia não sei quantos 246: ando zzz mas não parece


Ando zzz, às vezes ando Zzzz, outras durmoZZZZZ, acordo à passagem de milhares pensamentos carnívoros, fico-me por zonas proibidas para almejar ao presente irreversível. Às vezes espero pelas segundas partes para aproveitar as transições rápidas. Outras vezes leio. Outras passeio. Entretanto adiei a alulagem. Entretanto fui correr.

quinta-feira, 7 de março de 2013

dia não sei quantos 245: não há graveto para nostalgias


Vai daí abri o olho…huuum, chuva tonificada pelo vento?, ocultei o embaraço entre os lençóis, já estou fodido com isto, levantei-me uns quinze minutos depois e fiz um chá verde como se nada fosse. A coisa continuava. Respondi a um anúncio de emprego e depois fui ler umas merdas. Estive mais de uma hora nessa cena de ler umas merdas e acabei a reflectir sobre essas merdas que li, mas como o cérebro faz ligações fodidas comecei a pensar nos dois anúncios (de emprego?) que já havia respondido esta semana e nos milhões de anúncios que já respondi nos últimos triliões de segundos, pensei nos telefonemas (ainda ontem caralho!), nas reuniões, projectos, cenas, um gajo a aparecer para ver no que dá, pensei nas entregas de cv´s em mão, no pé, à cintura, deambulações, flanações, solicitações, empreendedorismos de meia tigela, planos, biscates técnicos, pensei na actualização da merda do vitae, mas com o quê?, merdas freelancer?, mas que merdas?, actualizar o cv com o diário do Cão?, grande ideia. Vou dar o CV ao Cão.  Não há graveto para nostalgias. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

dia não sei quantos 244: conclave nómada


Acordei despachado com um resto de filme na boa. Decididamente, ainda não há data definida para responder às vozes interiores sobre a pressão legítima dos últimos tempos, e não havendo informações sobre esse conclave mental do Cão a especulação é uma impressionante planície revestida a nada. Depois escrevi umas merdas no notecaderninho vermelho, deu-me para ler umas cenas de um livro e depois umas cenas de outro, não fui correr, não pensei mais no caso, dei um voto de confiança aos abdominais e fui mercadejar ali perto. Sou polivalente, vou aos treinos quando posso, identifico a beleza perdida num paralelepípedo, mas reconheço que a evidência destas conexões poderá não ser visível a olho nu.  

terça-feira, 5 de março de 2013

dia não sei quantos 243: untar as peças


Paralelamente, e à revelia da angústia, acabei por ir correr adjudicando logo aí meia dúzia de pensamentos, ficando ainda sobre a minha alçada a exposição de várias diligências (meditativas) sobre um cenário que se afirma como um bloco estranho à minha disponibilidade bélica. Tento reajustar-me e dou com os cornos no bloco estranho à minha disponibilidade bélica, uma tendência que oficialmente não se ajusta a nenhum mercado, mesmo concorrencial, coisa que atesto in loco, embora a minha sensibilidade se assemelhe, ela própria, a esse mesmo bloco (de granito?) nada conforme à minha disponibilidade bélica. Não sei se pensava nisto, mas a corrida irremediavelmente começou por correr bem, as mesmas ruas, às vezes uma ou outra mudança, e depois as voltas, umas vezes por um lado, umas vezes pelo outro, dou por mim a pensar que gosto de correr às voltas, fazer contas, pensar nas voltas anteriores, quantas foram?, e da última vez, quantas foram?, e continuo às voltinhas antes da panaceia do regresso ora por aqui ora por ali, mas sempre a mesma merda, dou por mim a pensar que ando às voltas também na vida, ora por aqui ora por ali, hoje isto, amanhã aquilo, mas sempre a mesma merda, até que reconheço a ladeira familiar, ocasião para assinalar o momento e untar as peças. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

dia não sei quantos 242: o cheiro do grito a levedar?


Tomar deliberações é fácil: pronto, já está. Mas às vezes um grito assoma à boca, quer dizer, não será (ainda) bem um grito, é a formação de uma identidade verbal, algo profundo, que vem lá debaixo, ruminado nas estranhas, comunicando com os fluídos, temperado de dores e breves melancolias. As melancolias terão o seu meio corporal favorito, toda a gente o sabe. Entretanto, existe um mundo lá fora, o presente irreversível recordando-nos que é irredutível. Vamos lá ver isso. 

domingo, 3 de março de 2013

dia não sei quantos 241: parangonas


Ricky van Wolfswinkel marca dois golos, mostra o cu ao árbitro e no final disserta sobre Ludwig Joseph Johann Wittgenstein – principalmente sobre a sua fase na cabana em Skjolden, na Noruega, onde parece que assomaram à luz as ondas do pensamento que estavam não se sabe bem onde.
(Em actualização)

sábado, 2 de março de 2013

dia não sei quantos 240: a cabeça do saltimbanco jornadeia


Tomei o pulso ao dia, entrevi dificuldades, fui correr, subi e desci a ladeira para empanturrar o bandulho de comida veloz, pensei na cena do jogo de mais logo enquanto tratava mais uma subida fodida por tu. Tive que parar. Recusei qualquer responsabilidade. A minha ansiedade projectou tudo isto demasiadas vezes. Segunda-feira é dia de vestir a decisão com o paletó certo. [Paletó é mais cool que blazer ou o caralho]

sexta-feira, 1 de março de 2013

dia não sei quantos 239: isto é muito simples


Um tipo acorda, lá fora aparentemente está tudo igual, o robe de chambre está ali à direita pendurado…hehehe, a porta está fechada, as horas denunciam que o pensamento anterior estava equivocado, se calhar é tudo a fingir, esta merda toda, estes últimos tempos, por isso será preciso experimentar tudo, e se a porta for também a fingir [?], como escreveu um dia Vernon Sullivan, o melhor será então perguntar como é que me puseram aqui dentro [?], reiterou um dia Vernon Sullivan, às vezes conhecido como Boris Vian, mas não se encontra(ra)m vestígios de esclarecimentos.