terça-feira, 8 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 187: nada nascera para mim?


Não sei se repararam mas o novo ano, dizem, está a começar, para mim começa lá mais para a frente, entre o ortodoxo e o chinês, ou isso, mas já temos o rosto do novo ano, já temos sim senhor, o tio já o lançou com o estigma do Arthur a tiracolo, e já temos o tipo novo usado [que] treina a dor, a nossa e de mais alguns eleitos, amestradores de dores (não é pleonasmo!), pensei nisso logo à saída da cama, alongamentos, dor, desenjoo, paragem, depois corrida, dor, exercício, dor, catarrada, dor. Já estamos habituados.  

[não esquecer a cena da tarde...]

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 186: tenho evitado pensar nisso


Correr atrás do prejuízo, mas onde está o prejuízo?, lá fui correr sem saber onde é que parava o prejuízo, esta cena dos ditados, dos aforismos, parece que as boas contas fazem os bons amigos, mesmo em estado grave, e essas contas que te avisam amigas são, pensava nisto, escutava You la Tengo – outra vez a merda dos you la tengo?, contra a maré, o sol doidivanas a aquecer as hostes, miríades de pensamentos a tentar formar caudal ofensivo, o cérebro a resvalar inexoravelmente em cada esquina neuro sensorial, esquemas rotativos a surgirem do nada e as pernas a darem de frosques com o peito a ruminar catarradas, ou isso. Disfarçadamente, um corpo transportava-se além, primeiro a ponte aérea, paragem, depois o trajecto inanimado pelas tascas, a cidade toda a tasquear, chusmas de passeantes sem rumo, esplanadas a debitar imperiais, finos, garrafas a gosto, misturas, o sol a dar para o torto, paragem, cuidado com o Favaios à direita, com licença, a estrada de paralelepípedo, sonhos a brotar da calçada, sonhos esmagados na calçada, um corpo sobe ainda, a ladeira enfim, se rebola, se cai, agora. Depois ainda sol, a desmama da manhã, a sopa de legumes e um enlatado gourmet [risinhos] para destapar a marosca ao dia. Mais uma resposta a um anúncio, repetição, o mesmo de quando?, já terei respondido?, não seria o tal?... as vozes vinham agora de longe, não sei porquê apeteceu-me ver o Elephant  mais uma vez, aquele cena da moça de fato-de-treino a olhar o céu, a cheirar a morte?, sei lá…estou confuso.

domingo, 6 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 185: os sinais

Na forma que o acaso e o vento dão às nuvens o homem fica logo absorvido a reconhecer figuras: um veleiro, uma mão, um elefante (...) escreveu um dia Calvino. Pensava nisso, olhando o sol, interrogando o céu, desmarcando-me da manhã, de outros pensamentos, refilando entranhas amarguradas, eterno porque será?, e depois a casota, a diligência da limpeza da dita, o desnível entre todas estas coisas, um programa de rádio ao fundo, terá sido por estas e por outras, com mais sol, sílica, ou isso, que o Árabe se fodeu com o Meursault, que por sua vez se fodeu no final do L'étranger do Camus, quer dizer, não se fodeu para aí além, aquela cena existencial, foda-se, e a cena de saltar para o camião. Pensem nisso. Pensem nisso...

sábado, 5 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 184: soluções para melhorar automáticamente


Entretanto terá ficado deitado na cama a ler, após o que se dignou levantar a peida para ir ao pão e degustar um café com leite mal fodido, com direito a factura, a menina com a facturinha na mão, a outra mão a estranhar tamanho enlevo, a maquineta nova ali ao lado, preta como tudo, ou isso. De caminho pensou na vida, terá recordado um papelinho semelhante da noite anterior, uma máquina preta e um aumento de preços acoplado a um sorriso. Compreendeu. O sol acompanhou-o nesses últimos passos a remoer um ou dois pensamentos avulsos. Esta merda é preciso tirar um curso – pensou. Mais um? – mastigou silenciosamente o pensamento seguinte. [psssst: não se podem desperdiçar pensamentos à tripa forra] 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 183: criação de obstáculos


É coisa simples: gerado ensonado, pulei a cerca várias vezes. Não dá para ficar por aí lamuriando o tempo, resmungando ambiências snobes de consórcio alheio, presa fácil de plumagens travestidas, sempre ausente na relativa ventura, sempre antecipando a glória caindo de madura (como?) . O tempo jaz em cima da voz que o traz (inventei agora), esboroa-se encavalitado no corpo que parasita, formando praias belíssimas porém efémeras, praias acascalhadas de garrafas com mensagens, ou isso. Um litoral decadente. E de qualquer maneira estás sempre fodido. 

[duas demandas matinais]

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 182: olha ali, fui correr


Não senti logo tudo, mais a cabeça, também a caixa, os pés, as pernas, a caixa, o bofe, o estalido de burro do lado direito, a disjunção explosiva de duas articulações, o cérebro a dar de frosques. Primeiro as sapatilhas novas, depois a cerveja e o whisky, depois ainda a bolaria e uma roda dentada de bicicleta antiga que eu pensava já ter digerido, tudo isto assomou à minha boca, com a palavra foda-se a tiracolo, mas eu já ia fodido por isto e por aquilo, já ia a dar para o torto, para outro peditório mental, mas vou esperar, vou esperar até ao meu ano novo.
Agora vou ali dar de comer ao propósito do dia, ou o caralho!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 181: (...)


dir-se-ia que o posicionamento não augura problemas de maior: não haverá já dor que o sustente. Inválido, o posicionamento arremete contra si mesmo. O posicionamento, já não sendo um posicionamento, torna-se situação. Um lugar do nada. O corpo segue-o.  

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

dia não sei quantos 180: dois mil e trezzzzzze

ZZZZZZzzzzzznáusea...zzzzzzzzzzaicarambazzzzzsoftparadezzzzzzzmosquitozzzzzzzzlighzzzzzzZZZZZpatorecheado......
[não necessariamente por esta ordemzzz]