Outra vez sexta-feira. Projectos novos/velhos se avizinham…para a semana.
As “tentativas” de emprego são isso mesmo, “tentativas”, somas de serviços mínimos,
formas de aplacar uma pretensa ira dos deuses da burocracia. E assim são vistos
por todos, sem excepção, um protocolo pouco versátil, a juntar à fiscalização
quinzenal. Na televisão, uma geógrafa afirma que apenas foi chamada, no decurso
de um ano, uma vez pelo centro de desemprego. Quando se apresentou no putativo
cenário de trabalho, o lugar já estava preenchido e era para uma cena qualquer de
aulas de espanhol, pormenor para o qual a dita nem tinha habilitações. Como escreveu
o Bataille: “A partir dessa época. Simone contraiu a mania de partir ovos com o
cu”. É na “história do olho”...para as habilitações.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
dia não sei quantos 15: a conspiração
Não sei se vi na TV, mas acho que foi na TV, quando não é na TV é na internete,
e como diziam os Taxi, quem vê TV sofre mais que no WC, isto para ser erudito.
Mas soube pela TV, numa das 1326 reportagens pseudo sobre os desempregados, ou
documentários televisivos como agora lhes chamam, que os ditos e ditas sem
emprego, para além de tristíssimos, têm uma rotina, ou duas, sabe-se lá, e que
isso os aproxima da tal humanidade ocidental. Quantos às rotinas para TV ver,
estamos mais que conversados, um gajo ou gaja levanta-se e vai à casa de banho,
não se veste direitinho, toma o pequeno-almoço sentado como nas novelas, e
depois vai ler o jornal e o caralho dos classificados ao café, deitando a
cabeça no ombro do tascas. Não, um gajo ou gaja depois de mijar, coça em algum
lado e pensa em voltar para a cama. Um gajo ou gaja, depois do 1º ou 2º mês
onde aproveita para ler, ler, jogar jogos e ouvir música e passear acoplado a
sonhos e certezas que nunca se concretizam, após esse intro, digamos assim, tem
que ter mas é cuidado para não começar a beber como um batalhão de cossacos, e
mesmo que não seja dado a melancolias e faça uns biscates técnicos, começa a
ver as coisas através de uma membrana fodida, opaca e completamente dissuasora
de esperanças, e onde os outros gajos e gajas aparecem, por assim dizer, muitas
vezes, como monstros daqueles dos jogos interactivos, e a paciência começa a
cronometrar-se em micro segundos e nunca se sabe para onde dá o vento. O gajo
ou gaja começa mas é a odiar rotinas e a tentar preencher o tempo numa espécie de
desmama da tal humanidade ocidental. E um gajo ou gaja continua a acreditar em
si para aí umas boas duas horas, máximo, por dia, e depois é sempre a descer. É
de crer que dê uma saltada ao café para fazer que lê os classificados e o
Record, mas em casa já se inscreveu em 400 sites de desemprego, isto enquanto
tem dinheiro para pagar a merda da internete (com E no fim porque me apetece!). É
de crer…
quarta-feira, 11 de julho de 2012
dia não sei quantos 14 e tal: puta que os pariu
Interessante este dia. As pessoas compreendem bem a greve dos médicos, mas
compreendem, quer dizer, entendem menos, a greve dos maquinistas da CP e da Carris
e do Metro do porto (mas estes fazem menos), e já agora dos transportes públicos
de Guimarães, e por aí fora. E ainda compreendem menos as greves de operários
fabris, esses privilegiados. Incompreensível seria a greve dos nenúfares no
riacho ali perto da pontinha. Os elefantes não perdoariam…pois não?
terça-feira, 10 de julho de 2012
Dia não sei quantos 13: o Púchkin
Não sei mesmo com estava o sol, abri a janela e fui
por ai fora, por entre o casario e um monte imaginado. Não sei mesmo como
acabou a noite, sem instigação alcoólica, tu queres ver que não desvario.
Depois a programação do dia. Listagem: poesia. Escrever uma carta de
apresentação [copiar a anterior]. Enviar
curriculum vitae para a Lusófona. Olhar o céu. Ginástica. Passear. Diz o Púchkin: Voa a
juventude gulosa/ a engolir conchas marinhas,/Gordas prisioneiras e vivas/. Eu
cá ontem comi peixe. Não sei se vale.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
dia não sei quantos 12: planeamento
Projectados dois concursos e um registo. A semana
começa bem. Não esquecer de ver classificados. Ler. Tentar ler…
domingo, 8 de julho de 2012
dia não sei quantos 11: santo dia
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzznáuseazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzznáuseazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzznáuseazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.......................................................
sábado, 7 de julho de 2012
dia não sei quantos 10: nota
Hoje é Sábado, mas poderia ser quinta ou terça, para moi é a mesma merda.
Mas, lá está, aquela seiva de fim-de-semana medra qualquer corpo no lugar mais inóspito e
remoto. Por isso, tanto o governo como as empresas decidiram ajudar e mandar
toda a gente para casa, tesos como birotes, ou para o empreendedorismo ou o
caralho, tesos como birotes. E assim um dia destes ou daqueles, ninguém vai notar
qualquer diferença entre um sábado ou uma quinta ou terça, a não ser para se armar ao pingarelho e sentir-se parte da humanidade ocidental. Mas que humanidade?
sexta-feira, 6 de julho de 2012
dia não sei quantos 9: sexta
O historial das sextas remata ao poste da consciência: não me perguntes o
que posso fazer por ti, mas o que tu podes fazer por ti. Espera aí, digo eu,
estou confuso, e não pode ser aquilo que eu posso fazer por ti? É neste estado
puramente sólido, concrecionado em camadas diárias de betume emocional, que
chegamos a cada sexta. Nem uma ideia empreendedora, quer dizer, nem uma ideia
empreendedora à luz desse fogo-fátuo propagandista que nos impingem diariamente.
De resto, encostadinhos à parede, que esta governação é menina para querer
fazer meninos à má fila. Na segunda-feira vocês vão ver!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

