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domingo, 25 de maio de 2014

dia não sei quantos domingo por assim dizer: já está aí no chão à força toda


 – Diz…
 – Nada… estou a falar sozinha. Aprendi contigo.

in "Memórias de um tenente da força aérea" (autor anónimo)

Não sei como fui parar à ribanceira reflexiva, embora a momentos a reflexão seja aparte (deixem passar) integrante (deixem passar) do núcleo duro do meu cérebro. A propósito, começo a achar (e não é de hoje caralho) que se calhar o Montero é um mcguffin. Segundo Vilamatinhas, para percebermos o que é um mcguffin temos que recorrer à cena do comboio:
«Pode dizer-me o que é esse pacote que está no porta-malas por cima da sua cabeça?», pergunta um passageiro. E o outro responde: «Ah, isso é um mcguffin». O primeiro quer então saber o que é um mcguffin, e o outro explica: Um mcguffin é um aparelho para caçar leões na Alemanha». «Mas na Alemanha não há leões», diz o primeiro. «Então isso aí não é um macguffin», diz o outro. Há para aí mcguffins a dar com um pau, um mcguffin pode ser algo que parece extremamente importante, mas que com o decorrer da situação acaba por ser irrelevante, cumprindo, no entanto, a função de nos deixar pregados ao ecrã. Mistura de engodo com lebre, daquelas tipo Guilherme Alves, o mcguffin recorda-nos sobretudo um encolher de ombros que nos faz olhar para o lado na vida, enquanto a vida passa (deixem passar), e, sobretudo, um mcguffin faz-nos lembrar uma qualquer comida americana servida ao pequeno-almoço, que é o prelúdio do dia e das nossas dores. Este desvio revela-se por vezes fatal como o destino. Um dia destes voltaremos ao Montero. 


sábado, 15 de fevereiro de 2014

dia não sei quantos três mil e outros tantos sábado: ainda sou daqui

Um dia Carlos Díaz Dufoo (fillho), estando por Paris sem sair do México,  escreveu assim: no seu trágico desespero arrancava brutalmente os cabelos da sua peruca (obrigado, Vilamatinhas). [zzzZZZZZzzz]

sábado, 24 de novembro de 2012

dia não sei quantos 142: aparente especialista em estranheza


Isso já vem de ontem, a cena do Menino, um conto do Vila-Matas nos Exploradores do Abismo, deu-me para reler aquilo, a antessala do vazio, mas também o mercadejar das angústias, ou isso, coisa com pano para mangas, capaz de nos por a andar horas a fio pela cidade, penso que no campo o efeito será o mesmo, estava a ruminar tudo bem ruminado, quando a manhã (isto já foi hoje) entrou pela janela, as frinchas de luz peneiradas pelos estores insinuavam gotículas de chuva, foda-se, pensei, esta merda está cheia de poesia, logo o pensei assim o disse em voz alta, esta merda está cheia de poesia, e ala que se faz tarde para o desenjoo. Entretanto, viajo por florestas Laurissilva, o que é uma redundância, a internet é assim, ruas com mar nas bordas, janelas que não servem (apenas) para o suicídio. Nunca se deve mercadejar com as angústias. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

dia não sei quantos 83: e agora, cão?

Estava a reler, a folhear Vila-Matas, O Mal de Montano, e diz a páginas tantas: “não é a revelação de uma verdade que o meu diário busca, mas sim informação sobre as minhas constantes mutações”. De manhã chovia, para que conste. Fui correr, para que conste. Não tenho nenhum jogo novo para jogar, para que conste. A tarde ainda agora começa e já vai em declive, é como se não fosse possível juntar as peças todas, ou as cartas todas, como se não fosse possível formar um baralho ou fechar bem da mala. E depois o Matas assim: “instintivamente, com grande entusiasmo, pensas em bombas mentais que depositarias cuidadosamente nos pavilhões de determinados porcos (…)”, [gosto deste gajo!] páginas tantas 252, edição da velhinha Teorema agora embalsamada no caralho da leya, ou isso.