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domingo, 23 de março de 2014

dia não sei quantos diga lá outra vez domingo: e a rádio Cão, meu?

Antes do ZZzzzzzzz deu-me para ver num canal qualquer a cena nova do Cosmos apresentada por um gajo que não se parece em nada com o Sagan, fazia tempo para acabar com a cerveja e a tarte de maçã, adiando o mais possível o domingo, adiando ainda o mais possível (deixem passar) a segunda-feira das novas dores, quer dizer, deu-me para ficar ali a ver o Cosmos, depois de ter embrutecido o suficiente com os filhos do roque, que já são granditos, coitados, e já têm filhos, portanto, vamos praí nos netos do roque, estava eu assim quando me ocorreu que afinal viemos do macaco enfarpelados de padre. Fui a pensar nisso para o ZZZZzzzz e tudo. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

dia não sei quantos 84: não entres tão depressa nessa cena escura


Um destes dias estava eu a ouvir um programa na televisão, a ouvir, sem ver os gajos, assim uma espécie de rádio, quando um dos tipos (era um tipo pela voz) falava de lirismo e de atitudes poéticas, referindo-se a coisas materiais, tipo política ou tinta esmalte, pelo tom de voz era tanto especialista numa coisa como noutra, e parece que também podemos acrescentar a isso economia, nada mais fácil, já que nestes tempos toda a gente percebe alguma coisa de economia, e todos os gajos que vão à televisão debitar barbaridades avulsas são economistas ou para lá caminham a passos (sem ironia ministerial) largos, para além de que são quase sempre os mesmos tipos ou tipas, não sei se já repararam. Essa merda de utilizar a poesia nesses termos, ou quaisquer outros, tendo em conta o nível de substrato lírico geral, pode, e certamente que é isso que acontece, causar muita obtusidade nos assuntos, sejam eles quais forem. Basta ler as Farpas do Eça e do Ramalho, mais meia dúzia de romances portugueses (nem é preciso consultar o Pulido whisky Valente ou o Rui Ramos pulido) para perceber que a evolução lírica manifestamente não existiu, ou é a mesma do século XIX, pelo menos, sendo (quase) certo que a poesia não tem nada a ver com essas merdas. De qualquer modo, preocupam-me cenas concretas, como isto. Ou como isto. Nisto estou que se foda.