Acho que foi assim: soube que o Avó Cantigas tinha ganho o
nobel estava eu a trincar uma maçã. Um moço ali perto fez o comentário ia eu na
sopa, a confirmação chegou através do seu telefone esperto ia eu (confirmo!) a comer
uma maçã, a coisa tinha tudo para desaguar no Saramago (e assim foi), mas sem consequências
de maior, que isso de livros, música e radioamadorismo são coisas anacrónicas
para não dizer démodé (é assim que se escreve?). A missiva já vai longa, não se
desse o caso de eu andar a esbanjar a minha vida a feijões e teria certamente
algo a dizer sobre o caso. Ou isso.
sábado, 22 de outubro de 2016
terça-feira, 4 de outubro de 2016
diz que quem é vivo...
sempre aparece...
[voltamos, não tarda, com coisas realmente importantes, para não dizer imprescindíveis, obviamente]
domingo, 18 de setembro de 2016
sempre a tempo
Quis mudar o “que se fodam” da posta anterior para um
tremendo “pó caralho”. Não gosto do som e da fúria (deixa passar Faulkner) dos “que
se fodam” que por aí andam, contaminando sem escapatória o meu “que se fodam”
da posta anterior, preferiria um “pó caralho” clássico, nada retro nem vintage,
um clássico da língua portuguesa que é ao mesmo tempo um sentir português. Duas
coisas se haviam poupado: esta posta sem sentido; um final sentido da posta
anterior. Ainda vou a tempo de…ou quase. E agora, algo completamente diferente na sua banalidade, o Cão em descanso domingueiro:
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
tabuleta saudade
zzzz quem dera... os dias correm bem, certificam as noites em farrapos de memória, quer dizer, são dias com dia dentro, luz, vai daqui suor, correrias insanas, a propósito de cenas supostamente importantes, são dias corredor, a gente entra, está lá, mas não sabe bem como sair, quem dera outras noites, melhores dias, recibos de certificação intransigentemente humana, coisas com uma cabana lá dentro, velas, uma outra versão de humanidade (deixem passar) com caixa de correio de metal ferrugento. Fazemos falta nós, fazem-nos faltam aqueles de quem gostamos, tudo passa, não passa nada. É a vida, dizem-nos. Que se fodam...
sábado, 3 de setembro de 2016
Agora a sério
Passei parte desta tarde livre de Sábado a escutar (não é o
mesmo que ouvir) e a analisar os Утро – Утро, uma banda que emana
(vamos pensar assim) dos Motorama e,
por supuesto, de Rostov, ou Rostov-do-Don, por lá passando o Rio Don, não
faltando más-línguas que a qualificam como a cidade dos serial killers, ou dos
matadores sérios, mas não foi para isso que nos escalfámos esta tarde, não, nem
sequer foi pelo facto singelo de nesta cidade morar o clube que contratou o
Naldo por 4,5 milhões de euros, depois de este ter custado cerca de três
milhões de euros e umas vergastadas ao Sporting, e praticamente não ter jogado
coisa numericamente visível em termos de jogos, ou outras metragens
numericamente fiáveis do ponto de vista estatístico, ainda assim se constituindo
como a venda mais milagrosa de Bruno de Carvalho e do (ai) Jesus, mas vamos
aqui fazer um parágrafo e não tarda voltámos… a sério.
sábado, 27 de agosto de 2016
é o que é
Ando indeciso, após a leitura do meridiano de sangue do
Cormac dificilmente a vida poderá ser a mesma coisa, não há qualquer redenção
que emane daquelas páginas retiradas de um qualquer lugar inóspito. Ando
indeciso, deambulo por entre Sterne e Wodehouse, tentando adocicar a coisa,
procuro um banho de misérias em fundo histórico com Gore Vidal, observo de soslaio
Zola, encolho-me à passagem de um expresso da semana passada com o Camilo a
brotar de páginas amorfas. Nada me basta, me cura, nada me salva daquele
meridiano, procuro brandura recorrendo a outro Cormac, não observando a regra
de uma vida, não ler dois seguidos do mesmo autor, nada me basta, nada me cura,
mesmo esta luz travessa que me banha em pequenos farrapos me aborrece, como me
aborreceu ainda agora aquele a árvore da vida do Malick, meia hora de bom cinema
não basta para esconder quase duas horas de inutilidade entediante. Canso-me a
mim próprio (deixem passar)…é o que é.
sábado, 20 de agosto de 2016
Isto para (re)começar
Andar para trás, dela dizem que muitas vezes assim anda, a
vida, para trás, mentem, não anda, caminha inexoravelmente em direcção ao nada.
E alguém sabe onde fica o nada?
domingo, 24 de julho de 2016
dispensa de retenção
às vezes ao domingo é domingo: os vizinhos do lado fazem o seu número de circo brejeiro, escutando-se bem, lá em baixo, enche uma banheira, o sol tenta entrar coado por várias barricadas e, não tarda, cheirará a algum assado com batatinhas, mesmo sendo verão. Às vezes é domingo ao domingo: limpar a casota, dar de comer a um ou dois vícios, ficar em casa até ao final da tarde, extenuado por um tédio galopante, fazendo contas à vida que se esvai numa lentidão de formalidades, maneirismos, preocupações, diversões vazias e auto-impostas, enquanto não chega hora de mais uma formalidade protocolar, ser recebido num tasco por membros de uma seita de idiotas chapados. Às vezes ao domingo é domingo e temos consciência disso. O pior é quando se aproxima uma segunda-feira que também é domingo. O sábado de ontem cometeu suicídio. Por esse facto pedimos as nossas desculpas e a vossa melhor compreensão.
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