terça-feira, 11 de abril de 2017

sexta-feira, 31 de março de 2017

um conselho aos humanos que sabem ler umas merdas em inglês

aqui vai:



desculpem...não é isto...eheheh... agora é que vai:


agora vou ali digerir o que resta da sopa à chuva... com licença.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A amígdala é crucial para o medo, disse ele

É incrível como a vida é prosaica, não num sentido, digamos assim, despoético, não, será mais num sentido (deixem passar) da banalidade do real, o que em si mesmo funciona como uma pós-verdade (isto para mostrar alguma actualidade num recinto onde a trivialidade reina), isto é, um caldinho de merdas tão grande que o termo pós-modernismo já não conseguia abarcar, e olhem que o caralho do pós-modernismo era um bidão espacial do tamanho daquelas cenas que o Soviéticos colocaram à deriva no espaço que é de todos, ainda assim o pós-merdinismo, perdão, o pós-merdinismo da pós-verdade, fica muito aquém, vão-me desculpar, daquela sua prima jeitosa, a inverdade,  isto para não ir muito longe. A vida é de uma prosaicidade (existe, existe) tal, que nos convence da sua beleza (que ninguém repara), e quase nos convence (se estivermos realmente despertos) que todos os dias se aprende alguma coisa, como eu bem o senti hoje, enquanto colocava as camisas na máquina de lavar juntamente com o polar preto, umas meias, dois pares de cuecas e outras cenas indecifráveis, tudo em modo lavagem rápida, para depois sentir uma alegria indescritível (meia hora depois para ser mais concreto) ao observar as camisas impecavelmente lavadas e quase passadas a ferro (a qualidade do material das ditas ajuda –  bem hajam fardas belas), sem precisar de nada mais que não o sol a versejar lá em cima. Depois fui engraxar umas botas CAT, já com o fito de colocar os lençóis polares numa experiência alquímica com a máquina de lavar. Tenho uma vida muito interessante, para não dizer prosaica. Vou agora ouvir isto e esperar o picheleiro para mudar o autoclismo.  

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O cérebro, a amígdala, e o amante dela

Ontem comecei por escrever assim: sem tentar afugentar o lirismo fácil das emoções, estando estas a reboque, ou não, de condicionalismos mais ou menos exteriores, afirmo que nem sempre é fácil encontrar livros, ou mesmo obras de cariz ponderadamente literário/cientifico, sem que demasiadas insinuações técnicas nos levem a desbravar caminho através de outros mecanismos, desaguando, não raro, em apeadeiros de verdadeira fancaria editorial, como facilmente se observará em qualquer escaparate das nossas (assim ainda hoje denominadas) livrarias. O caso de Daniel Goleman, não sendo único, condiciona a nossa (modesta) atenção por alguns momentos, desde que isso não interfira com os resumos dos jogos da premier league. Isto foi ontem. Hoje acrescentaria o Oliver Sacks, ambos injustamente colados ao plinto efémero que enxameia as nossas (ainda assim denominadas) livrarias. Comum a estes dois, o estudo do cérebro e uma mão amiga que os fez desaguar na casota. Mas não posso deixar de sorrir imaginando algumas unidades anatómicas humanas, naquele momento inicial de desfolhamento, ao lerem: o funcionamento da amígdala e as suas interacções com o neocórtex estão no cerne da inteligência emocional, ou na arquitectura do cérebro, a amígdala funciona assim como uma empresa de segurança cujos funcionários estão sempre prontos a chamar de urgência os bombeiros, como, por exemplo, escreveu Goleman no seu livro  “inteligência emocional”. Mas tudo isto foi antes ou quase ao mesmo tempo da leitura de uma entrevista de António lobo Antunes a um semanário, leitura essa que teve como consequência quase imediata a ingestão de um copo de água e duas saídas desvairadas à rua. António Lobo Antunes seria um escritor extremamente interessante, para não dizer genial, se não escrevesse, ou se não tivesse escrito os seus últimos (assim denominados) vinte livros, António Lobo Antunes, seria um grande escritor de livros se, e só se, se ficasse pelas entrevistas, por algumas crónicas em jornais regionais, compartilhando o seu cérebro, amígdala e neócortex com a gente, em suma, António Lobo Antunes seria um grande genial escritor, se nos permitisse imaginar algumas das suas obras a partir das suas entrevistas, sem nunca as ter escrito. Isto para o bem da humanidade, permitindo, ao mesmo tempo, um Vila-Matas de volta às lides com um livro sobre escritos apócrifos, imaginados por cérebros caseiros a partir de entrevistas falseadas. Agora vou limpar a casota. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

a descrição da infelicidade

Foi mais ou menos assim: eu tinha acordado por volta das 4h da madrugada. Olhei o relógio e sorri, lembro-me bem. A cena seguinte foi já devidamente embalada pelo sistema sonoro fornecido pelo antiguinho blackberry, de cuja garganta tudo se pode esperar. Saltei e vociferei o costumeiro “não acredito”. Na terceira cena deste episódio já tinha as calças e trinte camadas de roupa a guarnecer-me o corpo. Lá fora a escuridão gelada não dava tréguas (imaginei). Engoli meio croissant do dia anterior mais ou menos à pressão do chá verde. Por que carga de água tinha eu que me deslocar ao trabalho àquela hora? Sete, sete e picos. Já não recordava bem a razão, mas sabia que tudo aquilo fazia parte de uma conspiração internacional articulada com uma conspiração cósmica de cariz um tanto ou quanto religioso. Corri para apanhar a boleia enquanto matutava nisto, naquilo e naqueloutro. A coisa foi relativamente rápida, quando dei por mim tinha o corpinho outra vez em casa e uma longa fila de merdas para fazer, não fosse este o dia mais cumprido do ano. A saber: lavar e secar roupa; proceder à lavagem, praticamente total, da casota; arrumação de umas cenas que incluíam livros (gritos!!!!!); confecção de uma sopa onde um dos ingredientes principais seria o nabo; banho e corte dos pêlos faciais; almoço tardio; leitura e observação (possivelmente) de um filme. Refundir as séries para mais logo. Organizar outras cenas. Enquanto escrevo “outras cenas” ganho coragem para, humildemente, mergulhar no caos mais generalizado ou na descrição da infelicidade, segundo W.G. Sebald. Acho que vou optar pela segunda, ou, quem sabe, misturar tudo. Gosto de dias assim, dias de alma ocupada. Ou isso. Bem hajam. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

ups

um bom ano humanos... 2017, é claro, deverá ser muito diferente dos demais, já agora não se esqueçam de comprar casotas novas, perdão, abrigos, para os vossos putos, perdão, cães, não se preocupem comigo...eu já estou servido cabrões...
eu volto já com cenas muito importantes da vida de um cão, cenas que, pela sua intrínseca novidade anacrónica (deixem passar), deverão ser plenamente do vosso desinteresse, para não dizer outra coisa que agora estou sujeito a um tempo cronometrado...ok?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

apesar de tudo

comprar laranjas, não, ainda tenho tangerinas, alguma fruta, vá lá, um nabo, sim, batatas, cenouras, tenho couve no frigorífico, fazer a sopa, ah!, com feijão vermelho na base, preparar o estufado de vaca com cenoura (e feijão vermelho!), fazer a mais para marmitar, como encaixar aqui o jogo do Sporting com os polacos, ah?, ouvindo o relato, sei lá, beber uma cerveja, isso não esqueces, pois não?, comer, escrever um poema que será um épico chamado "ROTO", - já começado, aliás, passear um pouco; e aquela cena dos presentes para aumentar a felicidade simulada do espaço público cognitivo? - feito. Acho. Levantar as costas, ler um pouco, quem sabe?, tomar duche a meio da tarde. Não prever.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

perguntar eleva

hoje acordei (de folga), a garganta o nariz os lábios colados. Sentia tudo. Tomei o respectivo veneno para desopilar as dores, as artérias, o pingo, coisas assim. Bebi chá preto e ingeri um croissant nojento com dois dias. Uma cena vermelha saída de um frasco coloriu esse croissant. Nesse frasco poderíamos ler, se quiséssemos, doce de tomate. Então peguei em três livros (um de poesia) e fui-me deitar. Aí chegado ainda esbracejei mas era demasiado tarde. A luz entrava toda e ainda descobri umas coisas sobre "pontos de interrogação". Eu já volto.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

a utilização de um cartoon para ilustrar, de certa maneira, a posta anterior, é da exclusiva irresponsabilidade do interveniente

[agora vou ali ler o "O direito à preguiça" do senhor Lafargue e depois, talvez, ver se resolvo de vez a situação do autoclismo, mesmo que seja necessário escrever um poema sobre o assunto, em último caso, claro está...]

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

a análise

Prefiro acreditar que a complexa ingenuidade das pessoas se reveste de critérios suficientemente etéreos para serem aqui chamados. Meus caros, dizem-nos (às vezes) que a ingenuidade (e mesmo a estupidez), não se pagam caro, pelo contrário, dizem-nos (às vezes) que estas seriam parte integrante da sólida estruturação estratificada (deixem passar) do mundo que nos rodeia, onde as superestruturas capitalistas, como diria o Baudrillard, se solidificaram de uma forma que faz lembrar a bucha química, isto é, a parede até pode ruir mas a parte chumbada pouco se importa com isso e não se recente. É por isso que prefiro a figura dos critérios etéreos como explicação singela sem recurso à análise de dados qualitativos, ou isso. Por vezes, lá aparece a América do Arizona, do Texas, do Ohio, do Nebrasca, mesmo em filmes estes aparecem amiúde com cavalos a aconchegar a fotografia, e nem sempre a acção decorre no séc. XIX. Se repararmos bem, observamos que aos poucos foram desaparecendo uns índios, e nisso precederam o desaparecimento inexorável das abelhas, motivo pelo qual se fazem colóquios ambientais em hotéis de 5 estrelas. Pretender conhecer a América através duns posters nova-iorquinos, da Califórnia, ou mesmo de Chicago, é não saber, como diria Al Capone, onde raio fica o Canadá. E o Canadá, asseguro-vos, até fica perto. Só é pena o aparecimento de surpresa do “Piloto”, agora conhecido como cidadão Pedro Dias, em directo para as televisões, ofuscando assim a vitória de Trump ali ao lado, quer dizer, perto do Canadá.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Os factos, como as roupas, tombam por terra...

O processo de endrominação dos sentidos é sempre coadjuvado por uma inépcia em tudo semelhante à banha da cobra. Posto isto e, desacreditando todo e qualquer ponto de partida, convém salientar a forma como o trabalho (seja ele qualquer for, vestindo qualquer uma das suas fatiotas) manieta os nossos sentidos, erguendo cerco ao nosso mais íntimo baluarte que é o corpo, morada postal do espírito. Os primeiros sintomas (no meu caso muito tardios) manifestam-se sobre a forma de um mal estar ténue, uma inquietude rústica, um não sei que fazer com as mãos e com o cérebro, desenvolvendo ramificações, primeiro imperceptíveis, depois expostas a qualquer elemento cuja atenção seja a de um ser desperto, tomando por fim a forma de uma expressão muito em voga nas imediações das redes sociais: tenho que estar sempre a fazer qualquer coisa. Esse tenho que estar sempre a fazer qualquer coisa, não é, de todo, natural, não se encontrando em qualquer manual de assuntos banais da antiguidade, clássica, ou não, sendo completamente desconhecido esse tenho que estar sempre a fazer qualquer coisa, inclusive do homem pré-histórico que, como se sabe, não tinha televisão. Esse tenho que estar sempre a fazer qualquer coisa, mesmo tardio, no meu caso pessoal, contamina qualquer frincha de liberdade, qualquer hora fora do local de trabalho, tornando-se viral nas folgas, nas férias, nas vésperas de um jogo de futebol ou mesmo antes desse jogo à 5ª ou 6ª cerveja, apenas desaparecendo lá para a 11 ou 12ª cerveja, mas aí já sem jogo de futebol que as valha. Esse momento único de estar à janela em frente às ramadas da infância navegando à deriva pelo mundo, torna-se uma coisa planeada e colocada na porta do frigorífico junto com aquele íman nojento de Madrid. Na melhor das hipóteses o doente torna-se um escritor mediano de viagens, mas de viagens planeadas, nunca daquelas viagens à volta do quarto (perdoa-me De Maistre), ou daqueloutras, mais antigas, em que alguém se fazia transportar acompanhado pelo seu corpo rodeado de mundo. Dar um tempo é a pior coisa que alguém nos pode dizer (ou pedir),isso... e contar as suas férias. Embora se reconheça que, caminhar com o sol a tiracolo numa batalha corpo a corpo é sempre de considerar. A inveja é uma coisa fodida...

sábado, 22 de outubro de 2016

Meanwhile, far away in another part of town

Acho que foi assim: soube que o Avó Cantigas tinha ganho o nobel estava eu a trincar uma maçã. Um moço ali perto fez o comentário ia eu na sopa, a confirmação chegou através do seu telefone esperto ia eu (confirmo!) a comer uma maçã, a coisa tinha tudo para desaguar no Saramago (e assim foi), mas sem consequências de maior, que isso de livros, música e radioamadorismo são coisas anacrónicas para não dizer démodé (é assim que se escreve?). A missiva já vai longa, não se desse o caso de eu andar a esbanjar a minha vida a feijões e teria certamente algo a dizer sobre o caso. Ou isso

terça-feira, 4 de outubro de 2016

diz que quem é vivo...


sempre aparece...

[voltamos, não tarda, com coisas realmente importantes, para não dizer imprescindíveis, obviamente]

domingo, 18 de setembro de 2016

sempre a tempo

Quis mudar o “que se fodam” da posta anterior para um tremendo “pó caralho”. Não gosto do som e da fúria (deixa passar Faulkner) dos “que se fodam” que por aí andam, contaminando sem escapatória o meu “que se fodam” da posta anterior, preferiria um “pó caralho” clássico, nada retro nem vintage, um clássico da língua portuguesa que é ao mesmo tempo um sentir português. Duas coisas se haviam poupado: esta posta sem sentido; um final sentido da posta anterior. Ainda vou a tempo de…ou quase. E agora, algo completamente diferente na sua banalidade, o Cão em descanso domingueiro:


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

tabuleta saudade

zzzz quem dera... os dias correm bem, certificam as noites em farrapos de memória, quer dizer, são dias com dia dentro, luz, vai daqui suor, correrias insanas, a propósito de cenas supostamente importantes, são dias corredor, a gente entra, está lá, mas não sabe bem como sair, quem dera outras noites, melhores dias, recibos de certificação intransigentemente humana, coisas com uma cabana lá dentro, velas, uma outra versão de humanidade (deixem passar) com caixa de correio de metal ferrugento. Fazemos falta nós, fazem-nos faltam aqueles de quem gostamos, tudo passa, não passa nada. É a vida, dizem-nos. Que se fodam...

sábado, 3 de setembro de 2016

Agora a sério

Passei parte desta tarde livre de Sábado a escutar (não é o mesmo que ouvir) e a analisar os Утро – Утро, uma banda que emana (vamos pensar assim) dos Motorama e, por supuesto, de Rostov, ou Rostov-do-Don, por lá passando o Rio Don, não faltando más-línguas que a qualificam como a cidade dos serial killers, ou dos matadores sérios, mas não foi para isso que nos escalfámos esta tarde, não, nem sequer foi pelo facto singelo de nesta cidade morar o clube que contratou o Naldo por 4,5 milhões de euros, depois de este ter custado cerca de três milhões de euros e umas vergastadas ao Sporting, e praticamente não ter jogado coisa numericamente visível em termos de jogos, ou outras metragens numericamente fiáveis do ponto de vista estatístico, ainda assim se constituindo como a venda mais milagrosa de Bruno de Carvalho e do (ai) Jesus, mas vamos aqui fazer um parágrafo e não tarda voltámos… a sério. 

sábado, 27 de agosto de 2016

é o que é

Ando indeciso, após a leitura do meridiano de sangue do Cormac dificilmente a vida poderá ser a mesma coisa, não há qualquer redenção que emane daquelas páginas retiradas de um qualquer lugar inóspito. Ando indeciso, deambulo por entre Sterne e Wodehouse, tentando adocicar a coisa, procuro um banho de misérias em fundo histórico com Gore Vidal, observo de soslaio Zola, encolho-me à passagem de um expresso da semana passada com o Camilo a brotar de páginas amorfas. Nada me basta, me cura, nada me salva daquele meridiano, procuro brandura recorrendo a outro Cormac, não observando a regra de uma vida, não ler dois seguidos do mesmo autor, nada me basta, nada me cura, mesmo esta luz travessa que me banha em pequenos farrapos me aborrece, como me aborreceu ainda agora aquele a árvore da vida do Malick, meia hora de bom cinema não basta para esconder quase duas horas de inutilidade entediante. Canso-me a mim próprio (deixem passar)…é o que é. 

sábado, 20 de agosto de 2016

Isto para (re)começar


Andar para trás, dela dizem que muitas vezes assim anda, a vida, para trás, mentem, não anda, caminha inexoravelmente em direcção ao nada. E alguém sabe onde fica o nada?

domingo, 24 de julho de 2016

dispensa de retenção

às vezes ao domingo é domingo: os vizinhos do lado fazem o seu número de circo brejeiro,  escutando-se bem, lá em baixo, enche uma banheira, o sol tenta entrar coado por várias barricadas e, não tarda, cheirará a algum assado com batatinhas, mesmo sendo verão. Às vezes é domingo ao domingo: limpar a casota, dar de comer a um ou dois vícios, ficar em casa até ao final da tarde, extenuado por um tédio galopante, fazendo contas à vida que se esvai numa lentidão de formalidades, maneirismos, preocupações, diversões vazias e auto-impostas, enquanto não chega hora de mais uma formalidade protocolar, ser recebido num tasco por membros de uma seita de idiotas chapados. Às vezes ao domingo é domingo e temos consciência disso. O pior é quando se aproxima uma segunda-feira que também é domingo. O sábado de ontem cometeu suicídio. Por esse facto pedimos as nossas desculpas e a vossa melhor compreensão.

domingo, 17 de julho de 2016

A escorregar na obscuridade

queria andar com uma sapatilha com atacador de bruma para quem anda nas nuvens, escreveu um dia Dinis Machado, era com sapatos, acho, não interessa, um atacador de bruma faz sempre jeito para quem anda nas nuvens, podia ser um atacador de nevoeiro cerrado, mas não era a mesma coisa, queria viver junto ao aço dos corações como quem voa, ou nem isso, coração pequenino, desperto em múltiplas situações que o bater das asas desconhece, correr assim como quem vai à mercearia antiga e depois os produtos são levados a casa, está calor, aí estão os artigos, folha de vinte e cinco linhas, a contabilidade das dores, não oxida?, nunca oxida a contabilidade, também temos gestão das dores, é outra coisa, a gente leva a casa, não se preocupe, não oxida, é perto do mar?, aí vão as dores, ó se vão, agora em contentor, vou correr com isto tudo a tiracolo, sai uma bomba da asma, e parágrafo nada?, não sei nadar, diz a encomenda, mas vai, vai como quem não sai do sítio, deve existir uma aplicação para isto tudo, deve, deve existir um sítio onde se sentam todas as dores, a luz é péssima, diz que sim, mas vá que não vá, um sítio onde as dores fazem um barulho de ondas, ali, diz que será ali. ninguém sabe...

sábado, 2 de julho de 2016

Feira medieval de antiguidades suevas


A páginas tantas lembrei-me da antiga Roma, não da série, mas de uma quantidade de merdas que li e sobrevoei durante estes caninos anos da minha vida, a cena do circo, quer dizer, pão (algum) e circo, Roma percebeu logo a decadência na plenitude dos sentidos, percebeu o logro, o simulacro do entretenimento como forma de empapar os sentidos, percebeu-o em vida, afastando-se já daquele tronco grego de que tanto havia sorvido a seiva. Nem isso é hoje o país da bola cujos bilhetes saem no juá de uma grande superfície. À tona percebe-se uma alegria que apenas bruxuleia perto de uma câmara de televisão, na recepção de um autocarro, numa promoção de leve dois pelo preço de um. Nos estádios, faz pena aquele silêncio de quem mói um pensamento, de quem está  habituado a curvar-se ao destino, de quem não sabe a importância de um símbolo. O rebanho acardita naquilo como acardita no Big Brother para incontinentes. Tanto faz. Faltam apenas dois empates. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Volta ao mundo dentro de uma parceria público privada

Albergar alma humana implica um esforço cuja imensidão toca os ventos agrestes que sopram de norte nas praias do Minho. E que nos adianta um Verão assim de corpos panados sem alma que o valha? Tenho trabalhado nisso, mas fundamentalmente tenho construído mais umas cidades para os outros, cidades, cobertos, celeiros, arrumos no sopé das montanhas por eles sonhadas. Tenho contribuído com a minha fé para amortalhar cada segundo válido deste mundo, bem amortalhado até perder o sentido, e assim provocar a desaceleração da construção interna de questões pelos nossos neurónios. Quer dizer, queria não pensar, pensando, queria o deleite sem o derrame de quotidiano que nos aflige os sentidos, queria viver como quem respira sem notar que está a respirar. Já pensei em comprar uma bicicleta daquelas com motorzinho e sair por aí a disparar impropérios contra o quotidiano, contra a rotina, contra as calças que já se compram rasgadas nos joelhos, tudo isso devagarinho, ora com o motor ligado, ora desligado, e assim seguir mundo dentro que já se faz tarde. E depois beber um ginger ale e escutar o grande génio do senhor Walker.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

tipo faicebuque

trabalhar não tem piada nenhuma...

ando

assim assim ou assim assado, falho o alvo, nada que não fosse sonhado, ando ando, não ando ando, nada que não fosse andado, ando como quem anda, não ando assim tanto como andava, andaria se tivesse um verbo a preceito, andaste como se houvesse proveito. Para tudo um curso, uma roldana anatómica junto ao peito. Andasses...

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Amanhãs que cantam: eu já fui assim


[tendo em conta a fina e grossa ironia, já para não falar do filete afiambrado de sarcasmos, o qual está pela  hora da morte, desta vez, e apenas desta vez, não demonstramos qualquer arrependimento pelo recurso a imagens para a dinamização imagética do blogue, imagens essas que são sempre resultado da nossa fria irresponsabilidade, para não dizer irresponsabilidade fria, com licença]

quarta-feira, 25 de maio de 2016

em casa

É um prazer andar em círculo, fazer de conta, limpar as armas,  esconder as gorduras em frascos de cheiro a dar para o limpo, tudo isso fingindo que há tempo para tudo, esse tempo que vem embalsamado em imagens previamente embaladas, teclado no baú dos esqueletos outrora guardados no armário. Fazer um ponto junto ao tempo, galgar a madrugada dessa ponte que nos ilude em círculos (deixem passar) perfeitamente anatómicos, reconhecer a barbaridade disso tudo (deixem passar) enquanto se tecla é um prazer andar em círculo, fazer de conta, limpar as armas,  esconder as gorduras em frascos de cheiro a dar para o limpo, tudo isso fingindo que há tempo para tudo, esse tempo que vem embalsamado em imagens previamente embaladas, teclado no baú dos esqueletos outrora guardados no armário. Estar em casa. Saber onde estão as meias.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

projectos

acordar, voltar a correr, caminhar como quem voa, ler umas coisas, fazer yoga na banheira, escovar a biblioteca, beber cerveja pela garrafa apenas ao fim-de-semana, esconder as amolgadelas da vida, meter o turbo, continuar a trabalhar, trabalhar continuando, fazer compras a desoras, planear viagens imaginárias, viajar sem planear, escolher as vertigens sem etiquetas, construir cidades que não sejam para os outros, dar de frosques por momentos, ouvir música, formar uma banda imaginária e tocar no roque rendez vous, passar nas passadeiras, estudar a direito como se fosse torto, não achar nada disto suficiente, dormir pouco dormindo muito, ou isso. Não fazer contas.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Agenda

Passam os dias. É assim que deve ser, quer se queira, quer não. Passam os dias. Escorrem como água na parede caiada. Venha o mar, outras cidades, a lembrança de uma madrugada. Faz frio junto ao silêncio de cada dia que não acolhes. Diz que corta, essa sombra que anuncia aquilo que és que foste que serás. Ninguém sabe como termina esse dia todo cheio de farrapos de neblina. Fica bem assim, como quem não fica. A vida é água a correr junto do dia que fez a pena de Boris Vian. O que vier que venha. Ou não.

domingo, 15 de maio de 2016

Impossível fugir

Não passa pela cabeça a um cão tourear um touro, quando muito morder-lhe os calcantes e dar de frosques. Esta seria, aliás, uma questão muito pertinente para os protectores humanos dos animais, protectores esses que, não raras vezes, se esquecem da sua própria espécie. Posto isto, tourearei um touro: o touro do trabalho. Tinha três opções: pegar o touro pelo cornos com a boca; agarrar-lhe o rabo com a boca, servindo como leme; ser o terceiro ou o quarto da fila, o tal que fica sempre para os aplausos mas não fez nada de especial. Optei, à força de muita reflexão, por enfrentar o touro de frente, agarrando-me como puder. Não queria estar no lugar do touro. Nem no meu. Mas do meu é impossível fugir. Agora vou ali a ver se nasce uma árvore na sala de jantar

domingo, 8 de maio de 2016

este fim-de-semana não correu mal, a sério

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sábado, 7 de maio de 2016

esta semana até não correu mal, a sério

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terça-feira, 26 de abril de 2016

actualização

a vida frenética continua por estes lados, sem refreio, nem cansaço. Dormir cerca de nove horas e meia. Levantar e adiar o duche para a parte da tarde. Beber chá preto acompanhado de cacete galego de ontem torrado. Manteiga e um simulador de morangos barraram esse pão. Previamente, uma dose de furoato de fluticasona para dar o mote. Após o previamente e o pequeno-almoço, uma dose de budesonida/fumarato de formoterol di-hidratado. A coisa começava bem. Seguiu-se-lhe caminhada e estudo, da hermenêutica exegética filológica, a uma outra, de caracter ainda formal, mas eivada de boas intenções histórico-culturais. Caminhada de volta a tudo isto. Almoço: sopa de couve e sandes de atum (previamente empastado em cornichons, cebola e maionese), com alface e tomate. Bebeu-se o resto do chá preto do pequeno-almoço, frio.  Uma vista de olhos ao jornal Público terá aproximado este corpo de uma realidade ainda mais esotérica e acrítica do que lhe seria possível imaginar. Um café e a lavagem da loiça assumiram então verdadeiros contornos de loucura natural. Agora, talvez vá dar uma arrumadela nos livros da estantina. Uma estafa…

sábado, 23 de abril de 2016

notícia de última hora:

o mundo tornou-se triste porque um fantoche foi, em tempos, melancólico (...), escreveu um dia Oscar Wilde a caminho de uma bola de ferro a tiracolo....