sábado, 11 de agosto de 2012

dia não sei quantos 37: restos


Pois é, as sextas à noite, dir-se-iam pouco gandulas, como a de ontem, culminada numa enxurrada de séries, começando no “Lie to me” com o Tim Roth à cabeça, uma cena meio policial quase psicológica, atravessada por leituras corporais tipo profiler anatómico facial, mas com o Tim Roth à cabeça, passando pela versão americana do "Shameless", uma cena decadente cool, mais ou menos estereotipada cool, cópia americana cleam cool do original, mas com um grande William H. Macy. E, finalmente, o "Shameless" original Inglês, que já vai na 8ª temporada no inferno, ali para os lados da Radical, a desoras, direitinha para os braços dos jobless e outras carcaças, sem direito a benevolências ou obséquios, carne crua para roer com sentido de humor al dente, se possível, e um conjunto de actores do melhor. Manchester é a cidade, local onde ninguém percebe porque cargas de água se cobra pela água. E é isto. 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

dia não sei quantos 36: pormenores lá mais para a frente

Abrir a pestana: escuro. O fascínio vem mais tarde, entretanto, o cérebro decide-se por uma resenha rápida de coisas mais ou menos delineadas nos últimos dias, esboços de projectos, ritmos novos, rumores murmurados, o corpo a bater palmas a mando do cérebro, palavras assim: NOSCE TE IPSUM, VINCE TE IPSUM. Depois casa de banho, ala que não se faz tarde, por estes dias nunca se faz tarde.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

dia não sei quantos 35: parábola e fragmento


Um tipo acorda e já está a ouvir coisas sobre indicadores económicos e índices galopantes de qualquer coisa, como se isso fizesse parte das nossas necessidades mais imediatas, já para não falar no invólucro de normalidade onde nos são apresentadas, avulso ou por grosso, como outra merda qualquer. E eu que tinha umas listas para organizar, coisas para o dia, coisas mais simbólicas, e depois uma lista de livros e discos para ouvir, para comprar a coisa terá que ser revestida e colorida com empurrões e dinâmicas de rotação e translação. Tipos morreram na fogueira por pensamentos e livros bem mais inócuos, emociono-me por momentos, é sempre assim com tipos que morreram na fogueira por lerem ou escreverem merdas, e ainda hoje há tipos a morrerem em fogueiras reais e alegóricas, tipos e tipas perseguidos por dá cá aquela palha, gente com medo, ou borrada de medo, gente corajosa de medo, parece mesmo que o Kafka tinha razão, deixa ver se percebo: “Só existe um destino, nenhum caminho. Aquilo a que chamamos caminho é hesitação”. Entretanto, fui correr. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

dia não sei quantos 34: a gosto


Ora aí está, o mundo a banhos com a determinação sazonal possível, belicamente dissecada em análises jornalísticas e arremessos sociológicos castiços, tudo junto no bote televisivo e numa esplanada perto de si, não contando com os jogos. Parece que há menos gente, e menos gente ainda nos restaurantes, e menos gente a comprar coisas que não precisa por aí além, faz-me logo pensar como é que era possível, sim, como é que era possível, tanta gente, tantos restaurantes, tascos, devaneios, casas, alugueres, passeios às longínquas ilhas de sol sem se sair do hotel. E depois o cinema em casa, a reportagem das vacances: milhares de fotos e vídeos e vídeos de gente a tirar fotos, como nos casamentos em que ninguém se diverte, e muito menos se divertem os noivos, estranhos manequins. E depois a praia, como escreve o Vian para as piscinas: “É preciso que se diga, com pesar/ As mulheres belas nuas não coincidem jamais/ Com as beldades vestidas/ Existem naturalmente excepções/ A minha mulher, para começar. A sua também/ Se tiver escrito estas linhas/ Mas eu cá não acredito, mente como eu respiro”.  Parece que era sobre DELIGNY. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

dia não sei quantos 33 e tal: brevemente

Olha segunda-feira: não se vislumbram projectos, e o dia, afilhado de outros, relembra-nos um desejo cesariano absurdo de sofrer, se para tal fosse preciso um desejo, ou um Cesário. E até está sol, coisa de banhos, e até já respondemos a um anúncio qualquer de emprego, e até nos deitamos a ler e amanhã, já se sabe, a modorra. É defeito de fabrico, só pode.

dia não sei quantos 33: assim

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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

dia não sei quantos 32 e tal: acrescenta

Será Agosto uma gigantesca sexta-feira?

dia não sei quantos 32: Batman

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