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terça-feira, 13 de novembro de 2012

dia não sei quantos 131: Arredondo teria uma cara quase anónima, não fora resgatarem-na os olhos


Foi acordar e ler: no primeiro pátio havia uma cisterna com um sapo no fundo; nunca lhe ocorreu pensar que o tempo do sapo, que confina com a eternidade, era o que procurava. O livro achava-se em cima da mesa-de-cabeceira, e havia sido escrito por Borges em 1975, ou isso. Bebi um chá e depois fui correr (ou fazer de conta que corria). 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

dia não sei quantos 124: treina (dor) sem resultados

e depois o seu contrário: não li, não fui correr, não pensei na vida, não me levantei sequer da cama, não tomei duche, não estou a escrever não estou a escrever neste momento.

[sim, acordei e bebi um chá verde]

terça-feira, 23 de outubro de 2012

dia não sei quantos 110: a manhã também nos absorve (ou será: nos observa?)

Antes disso fui correr. Imprevistos madrugadores, quer dizer matinais, madrugadores talvez não, impuseram uma deriva imprevisível a uma manhã já de si solarenga, já de si potencialmente atractiva, nesse sentido, então, antes que tudo desabasse, antes que tudo se tornasse lucidamente devastador, ou isso, fui correr. Apenas depois disso, muito depois, topo com uma cena dos Felt, mas ainda alguém se lembra dos Felt?, pensei logo, eu diria que nesse momento estava estupefacto, até pensei numas palavritas para dizer logo ali, mas depois achei melhor não, ainda por cima o New day dawning, ou isso, esta merda anda mesmo toda ligada, devo ter pensado, de certeza que pensava nisso enquanto elegia um sítio tranquilo para apreciar. Nunca se sabe. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

dia não sei quantos 103: calma

ZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzezzzzzzzzzzzzzzzzzcorridazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzlivrozzzzzzzzzzzzzzpizzzzazzzzzzzezzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

[parte da tarde=meeting?]

terça-feira, 9 de outubro de 2012

dia não sei quantos 96: cansaço


Primeiro foi aquilo e depois aqueloutro, quer dizer uma manhã matinalmente cedo com desenvoltura e trato, almoço e tudo, um início de tarde pardacento, com notícias à flor da pele, notícias quase, notícias com reuniões presentes e passadas, penduradas em projectos e em muito trabalho do cão. Nada de especial. O fodido é que nunca é nada de especial, não morre ninguém, ninguém de magoa muito, quer dizer, nem isso, também há aquela outra cena, é verdade, uma cena próxima que ultrapassa muito esta cena ainda mais próxima. Já não sei. Também comprei umas merdas para a casa. Também tocou o telefone, ou isso. E depois andei, andei para aí, mas isso já eu faço bem, sempre fiz, andar, andar e pensamentos a tiracolo, andar e pensar, remoer, nem me recordo da cor do céu, nadinha, nem sequer das ruas, nadinha, uma ou outra vá, e depois hesitei. Mas já era tarde. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

dia não sei quantos 89: eu acredito em fadas, e depois?


Um dia escreveu Lainez: “Ao proceder assim e ao não ter em conta que tudo, absolutamente tudo, neste mundo inexplicável, funciona por razões que nos escapam, o seu cepticismo antiquado, que apodaria de vitoriano, não fosse o meu respeito por essa grande rainha, privá-lo-á de se inteirar de assuntos de interesse transcendente”, e antes já havia avisado que, quem não acredita em fadas que feche logo o caralho do livro (por acaso ele não utiliza a palavra caralho, o Mujica não se dá a esses ares) e o “arremesse para um canastro”, ou isso, mais coisa. Acho que vou ter que reler o livro. Mas eu agora releio, para além de ler?
Estou completamente fodido (eu utilizo estas palavras merdosas e dou-me a esses ares).

[o livro é o unicórnio, mas claro que toda a gente sabe disso…]

terça-feira, 25 de setembro de 2012

dia não sei quantos 82: [o Sporting entre] um épico camoniano ou a farsa de Sá Leão Pinto[?]


Acordei cedo, a pensar que estava a sonhar e estava, depois adormeci, ou isto foi ontem, já não sei bem, de qualquer modo, já cá faltava um pingo de felicidade testosterónica para além da compreensível felicidade testosterónica matinal, como é óbvio. A testosterona, neste caso, noutros não se sabe, resultou de um contraciclo nocturno metamorfoseado na vitória épica do Sporting e do Sá Leão Pinto [lá está a testosterona, outra vez] e dos seus jogadores mais o Paulinho Leão Pinto e arredores do banco de suplentes. Parece que o Sá andou a ler poemas épicos, ou sagas escandinavas, ou mesmo o Walt corpo Whitman naquela cena do “Ímpeto, Ímpeto, Ímpeto,/ sempre o ímpeto procriador do mundo”, embora o Walt corpo Whitman seja de outras testosteronas, mas como sabem “é inútil pormenorizar, os cultos e os incultos sabem que assim é”, pois apenas dessa forma se pode ganhar a uma equipa chamada Gil Vicente, cuja representação consiste em representar [fazer de conta] que joga futebol, utilizando partes do corpo estranhas ao ofício, como o nariz, com desfechos efectivos de golo, sem os quais todas as farsas e mesmo todos os autos vão por água abaixo.
Tás lá Sá Pinto, caso contrário, como diz a Lianor [na farsa de Inês Pereira]: “dai isso por esquecido,/E buscai outra guarida.”  
autógrafo de Gil Vicente 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

dia não sei quantos 75 e tal: vou já enviar o CV


Benetton procura o "Desempregado do Ano".



[in jornal I]

dia não sei quantos 75: dias de 2012 (continua)


Escreveu Cavafy (dias de 1908): “Ganhava uns dois ou três xelins por dia./ Às cartas e ao gamão que há-de um rapaz tirar,/ de condição modesta, em cafés ordinários,/ por muito bem que jogue e que só fisgue otários?/ E o pedir emprestado, nem sempre pegava. /Raramente uma nota, muitas vezes menos,/ e até mesmo ao xelim não raro se abaixava./"...




[e ler Calvino]

terça-feira, 11 de setembro de 2012

dia não sei quantos 68 e tal: lost o caralho


Em breve, muito breve, seremos todos, ou quase - de qualquer modo demasiados -, desempregados, desalojados, desnorteados, empregados pedintes e bajuladores, ou, como dizia um poeta que ninguém conhece, pois claro, seremos serenamente líquido desinfectante de calçadas. 

dia não sei quantos [67 e] 68: cortes


[É verdade, foi uma segunda-feira meio andarilha e seguramente aérea, permitindo apenas um ou dois agastamentos de relevo, algumas conversas sérias e uma porção de coisas que não interessam para o caso.]
Hoje, por acaso, fui dar uma corrida. Até ver está a ser positivo. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

dia não sei quantos 61: normalidade


Esta terça-feira corresponde(u), numa espécie de osmose,  à segunda-feira de ontem que não aconteceu, por motivos alheios ao nosso entendimento. E basta. Cumpriu-se assim o vazio com termo de identidade e residência de uma segunda-feira, cumprido a uma terça-feira, incluindo as diligências que estavam pensadas para o referido dia.  

terça-feira, 28 de agosto de 2012

dia não sei quantos 54: aparentemente está normal


 A desorientação preenche todos os interstícios, acomoda-se a cada osso, a cada músculo, tornando-se ela própria movimento, locomoção e, por fim, pensamento. Coisas aparentemente fáceis afiguram-se arremessos esgotantes, um momento ou um instante reproduzem trabalhos hercúleos, a comunicação começa a ser um roteiro perfeitamente definido por homúnculos instalados no cérebro. E o pior é encontrar alguém na rua, no meio de dois mil pensamentos, ou mesmo ver alguém ali ao… longe, e já tão perto, que dizer?, que fazer?,  continuar ou seguir pela transversal? O tabuleiro és tu próprio, e as peças de ambos os campos és tu, e és tu que jogas, aparentemente jogas-te a ti próprio numa batalha absolutamente impossível de ganhar ou de perder. Assim tens sempre razão, é o que é.  

terça-feira, 21 de agosto de 2012

dia não sei quantos 47: já é qualquer coisa


Compromisso social de índole familiar. Até já compromissos tenho que, sendo familiares, são sociais. E compromissos.

[e depois procurar o mar]

terça-feira, 14 de agosto de 2012

dia não sei quantos 40: saber as novidades


Acordar a pensar logo num monte de coisas muito importantes e pertinentes, dir-se-ia mais que as mães, para logo depois rejubilar com a chuva, o verão com necessidades especiais…

terça-feira, 31 de julho de 2012

dia não sei quantos 31 e tal: há dias assim


E escreve assim o Cavafi (um tipo mais ou menos Grego): “Foi esse o ano em que ficou desempregado;/vivia de jogar às cartas e ao gamão,/ou de pedir empréstimo o que não pagava./”, isto nos dias de 1908…

dia não sei quantos 31: até ver

Nunca pior.

terça-feira, 24 de julho de 2012

dia não sei quantos 25: ter tempo


Um tipo torna-se um coleccionador mesmo se não o deseja. Colecciona minutos a às vezes segundos. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

dia não sei quantos 19: poesia


Zumbem as moscas. Leio Al Berto assim: ouve-me/que o dia te seja limpo e / a cada esquina de luz possas recolher/ alimento suficiente para a tua morte/. É um “recado”, horto de incêndio. Na capa do livro Al Berto cobre o rosto com as mãos. Penso que talvez, talvez, apenas uma espécie de poesia nos possa salvar. Salvar da estupidez e da imbecilidade. Lá fora aquece, aquece muito. Zumbem as moscas no horto de incêndio. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dia não sei quantos 13: o Púchkin


Não sei mesmo com estava o sol, abri a janela e fui por ai fora, por entre o casario e um monte imaginado. Não sei mesmo como acabou a noite, sem instigação alcoólica, tu queres ver que não desvario. Depois a programação do dia. Listagem: poesia. Escrever uma carta de apresentação [copiar a anterior].  Enviar curriculum vitae para a Lusófona. Olhar o céu.  Ginástica. Passear. Diz o Púchkin: Voa a juventude gulosa/ a engolir conchas marinhas,/Gordas prisioneiras e vivas/. Eu cá ontem comi peixe. Não sei se vale.