À segunda de tarde... melhor, as
segundas da parte da tarde são segundas de manhã mais acolchoadas de dores,
daquelas dores boas, quer dizer, vem à tona aquela moinha (hoje, por exemplo)
que produz uma sensação de pressão na cabeça, primeiro na zona da testa e
frontes, depois na nuca, e vai-se mantendo estóica como tudo. Às dezasseis
horas e picos, por aí, um tipo é mais tipo que cão, o que não produz nenhum
efeito positivo no relacionamento recíproco (deixem passar), ainda por cima
quando do outro lado da barricada unidades anatómicas dotadas de inteligência
amibal escutam o som que sai de umas colunas, cuja origem, dizem, é a RFM:
reforma fisiológica mental.
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segunda-feira, 2 de junho de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
dia não sei quantos segunda recomeçar e: ao cuidado de
Ora essa, com licença. Assim poderia começar o dia,
acrescentando-se o poderei enviar um
emailzinho se estivermos a norte do rio Douro, ou o poderei esvair-me de mansinho, daqui para o outro lado, isto se
estivéssemos dentro da minha cabeça em simultâneo com uma manhã de segunda-
feira em hora de ponta. Não há (isto se estivermos a norte do rio
douro), isto é, não existe (se
estivermos entremeados a norte do mondego e a sul do douro) medida que possa
mensurar a possibilidade de uma estratégia, devidamente assumida, que se
coadune com a infelicidade pastosa da adjectivação matinal associada a um
trabalho que é um neologismo para se e tal. Trabalhar assim é só não ser visto.
Quer dizer, ou isso.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
dia não sei quantos reis de segunda: emanar rente ao chão
Tem dias. O chão emana cenas. Outras não se sabe de onde caralho vem. Entretanto, ficamos a saber por uma nota antiga que a solidão é um acto solitário. Já sabíamos que a morte também o era, isto pela pena de um bradbury com letra pequena. Para este momento havíamos agrafado um poema à cena, mas já não passa. É tudo.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
dia não sei quantos muitos: a coisa vai
Não é fácil o contacto. Um ei nem sempre se afigura como manobra suficiente. De manhã as
coisas não fluem, vão fluindo (deixem lá passar), são cenas passageiras que se
assemelham às folhas das árvores que vão calçando os caminhos, uma chatice
proporcional a outras quedas. Um desalinho nunca vem só, cada pancada aspira ao
seu galho através de uma quantidade de variáveis mais ou menos fodidas. Já dá
para almoçar? Não se sabe. Vamos agora ver da coisa: um antigo convento anexado
a uma vacaria, um mosteiro?, não temos assim tanto tempo. A coisa vai. É mais
isso.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
dia não sei quantos eu já faço as contas segunda: subindo ao tablado
Faina, diz que sim, chuva, alguma acidez. Tudo no trato. Ali
ao lado, recordo, um livro, toca a abrir. Feito. Mais faina a dar com os pés.
Na rádio, gravações anunciam a repetição (deixem passar) das horas: sintomático
(gosto desta). Também se aprende a viver, dizem. Coisa menos coisa, o recuo da
luz substitui a rádio. Debalde. Cheio.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
dia não sei quantos 410:entretanto, desculpem o incómodo
Mais ou menos isto: vamos no dia não sei quantos quatrocentos
e nove, ou dez, mas antes do dia não sei quantos um já andávamos há, pelo menos,
cento e cinquenta dias com e epíteto não
sei quantos a pairar sobre a cabeça, ou seja, temos um arcabouço de não sei
quantos quatrocentos e picos dias, mais cento e cinquenta dias, o que perfaz
para aí uns quinhentos e sessenta dias, talvez menos, mas de qualquer modo
verdadeiros não sei quantos dias, ou isso.
Não explico. Vou entrar em estágio, só que tem outro nome.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
dia não sei quantos 403: uma (in)tranquilidade nova
Anda cá… a abrótea é assim, e mostrei-lhe, não sem antes
dissertar acerca de e tal e coisa, também marcha cozida como a pescada com
todos, ou sem todos. Entretanto já seriam umas dezasseis horas e picos, o dia
terá começado cedo, incumbências de causa maior, entremeadas familiares, está
tudo bem?, vai em recuperação, e depois deu-nos para bacalhoar ao almoço, café,
anda que se faz tarde, o tempo já abriu, ou isso. Ruminações, cujo epicentro desenvolveremos
numa próxima oportunidade, acomodam-se nas entranhas fazendo ninho. E é isto.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
dia não sei quantos 389: isto tinha outro nome
Entretanto, depois cheguei até aqui: ter talento não é suficiente: deve ter-se também a vossa permissão para
tal – não é meus amigos? Escreveu um dia Nietzsche. Deixei ficar o não é meus amigos? não recorrendo ao
dever de extrapolar. Permanecerá em vinha d’alhos.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
dia não sei quantos 382: informação
Muitas cenas foram apanhadas de surpresa e tiveram que ser resgatadas. Outras cenas perderam-se. Partes da mioleira subiram às árvores. São esperadas novas réplicas e outras situações que dificultem as operações, embora não sendo certo que estas existam.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
dia não sei quantos 375: o começo era mais ou menos assim:
Olhe, se faz favor, é aqui que se formatam vidas?
[...]
segunda-feira, 8 de julho de 2013
dia não sei quantos 368: duplo pano de fundo
De manhã, concretamente ao meio da manhã, comecei logo por
não poder andar. Mas voltemos atrás. Seis e picos da madruga. Incumbência
registada na mioleira: fechar todas as janelas que ficaram abertas (deixem
passar, por favor), por causa do calor. A picada (pareceu-me na altura uma
picada) na perna esquerda manifestava-se através de um ligeiro enrijamento com
dor nas traseiras do joelho esquerdo, pertença da minha fabulosa perna esquerda
que me valeu o epíteto de Futre Cão (ou Cão Futre?) muitas luas atrás.
Entretanto fui mijar. Voltar a adormecer custou uma insónia de dois contos do
Poe. Tudo de olho fechado. Pareceu-me um instante e já estava na cordilheira
onde os sonhos nos devassam, outro instante e lá estava o meio da manhã escuro
onde comecei por não poder andar. Ao sair da cama a perna cedeu, mas não muito,
estás empenado, pensei, consegues empenar-te, pensei, fazendo
ligeiros movimentos exploratórios, por momentos parecia que a sombra de Gregor
Samsa andaria por ali, mas não podia ser porque estava escuro e não ocorrera
metamorfose, até ver. Fiquei ali a pensar no gato que tinha começado por se
chamar Boris Vian mas que com o passar dos anos foi recusando o nome letra a
letra, ora porque não escrevia, ora porque não tinha estudado engenharia, ora
porque não tocava trompete, ora por isto e ora por aquilo, e por aí fora, até ficar
apenas Gato. Depois lá me levantei.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
dia não sei quantos 361: esgotando todos os recursos
A manhã foi mesmo à justa: dormir e passear os pensamentos
com trela curta, antes de duchar. Entretendo, sem razão aparente, deu-me para
pensar em Thomas Stearns Eliot, vulgo T.S. Eliot, um tipo que nos deixa estarrecidos
pela sua mimesis (deixem passar) e vertiginosa poesia que toda a gente conhece
e ninguém lê, nem faz falta. Lembrei-me de um livrinho (onde andará?) com o The Love Song of J. Alfred Prufrock, numa
edição bilingue da Assírio qualquer coisa Alvim, comprado em Coimbra (acho),
lembro-me também de surripiar umas leituras do The Waste Land, ou isso, mas não sei bem em que cervejaria terá
sido, o que importa é que tudo isto desemboca no sorrateiro Notes Towards the Definition of Culture
(1948), uma merda que me interessa muito sobretudo depois de ler umas cenas escritas pelo maçador Vargas Llosa e pelo Sterne, mais coisa menos coisa. Nunca
fui muito à bola com o Thomas Stearns, nem sei como seria se ele
assinasse apenas Thomas Stearns, e coiso, T.S é muito mais snob, o bastante para o
Hugo Mãe começar a cantar cenas no duche convencido que as minúsculas não fazem
diferença. Gostaria de construir uma gaiola para o Thomas Stearns, isto depois
de deixar o gato uns três dias sem comer, mas acho que a cena da gaiola já foi
pensada pelo Cortázar, um tipo que até já foi lido pelo J.L. Peixoto. Estou
convencido.
J. Cortázar a trabalhar
Thomas Stearns a trabalhar
G. Cão a fazer de conta que trabalha
segunda-feira, 24 de junho de 2013
dia não sei quantos 354: seca
il est chaud. Ah, se está fechado vimos mais tarde.
[de salientar que iogurte grego que se preze só o natural ou açucarado, por exemplo o de stracciatella não acrescenta mais do que um milímetro à nossa felicidade que já é curta]
[de salientar que iogurte grego que se preze só o natural ou açucarado, por exemplo o de stracciatella não acrescenta mais do que um milímetro à nossa felicidade que já é curta]
segunda-feira, 17 de junho de 2013
dia não sei quantos 347: falência técnica
Também sonhei umas cenas, mas já não me lembro. A
primeira pancada da manhã foi boa, esvoacei entre as oito e picos e as nove e picos,
a bordoada seguinte seguiu (deixem passar) o trajecto ruído turístico das
anteriores, bruuum e mais bruuum, dá-lhe bruum, ao ponto do ódio ser segregado
a partir de todos os orifícios do corpo, raiva suada que dava para engrandecer
qualquer colecção de sudários, cuja tradição se perde nos tempos. E já estava a
subir a ladeira com a serenidade em falência técnica.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
dia não sei quantos 340: nem com 75% de cacau
Não sei porquê hoje parece-me do(r)mingo, mas sem os sobejos
da jantarada de sábado. Sendo domingo
outra vez (para o Calders eram as terças que se repetiam), não tenho que
recuperar os projectos adiados de sexta-feira, mais lento do que isto só mesmo dormind[g]o. Entretanto, lá respondi a dois anúncios (um terceiro veio logo
para trás de requitó) com carta de representação e seboso vital, não tarda
estou a vender as bandas desenhadas e a colecção de revistas (gosto de lhe chamar
assim) na feira de velharias antigas (deixem passar) e antigas velharias
(deixem passar).
segunda-feira, 3 de junho de 2013
dia não sei quantos 333: também fui ver do jornal
Só um segundo, já está, acabei de lerpar um iogurte daqueles naturais – quando o Cão era puto os iogurtes eram todos naturais, não? – ainda por cima cremoso, dizem que a marca é branca mas veio num paque (deixem passar) de uma mercearia com o mesmo nome da marca que é branca. Não fiquei assim muito confuso, a manhã vai longa, estendida numa toalha cujo padrão consagra um emaranhado de cenas previsíveis e viáveis dentro dessa previsibilidade, uma manhã de segunda-feira que se apresenta como não inóspita, solarenga, com um ligeiro clímax antes do lerpanço do iogurte daqueles naturais – quando o Cão era puto os iogurtes eram todos naturais…conseguem ver o resto do filme, não?
segunda-feira, 27 de maio de 2013
dia não sei quantos 326: o caso das segundas-feiras inóspitas
Era uma vez o último livro da trilogia das segundas-feiras inóspitas, cujo autor,
uma unidade anatómica completamente desconhecida do Cão, pretende impor a
validade das segundas-feiras inóspitas,
contrariando dessa forma o adiamento dos projectos das sextas para as
segundas-feiras (seguintes). Ora, como sabemos, esses adiamentos são
devidamente sancionados pela Associação nacional de projectos adiados de sexta para segunda-feira que, como também
sabemos, disponibiliza as ferramentas necessárias para procedermos a uma bom
protelação de projectos e afins, de sexta para a segunda-feira seguinte sem
qualquer influência no estado psíquico/físico do fim-de-semana. A Associação nacional de projectos adiados de
sexta para segunda-feira – sabemos de fonte segura – tem em preparação um
aprofundado estudo monográfico (deixem passar) sobre a importância do
adiamento, leia-se passagem, de projectos de sexta para segunda-feira, não
podendo a segunda-feira respectiva assumir-se como um local/espaço/situação
inóspito(s), sob pena de termos de adiar os projectos para outro dia qualquer (terças,
quartas?) o que implicará, obviamente, a constituição jurídica de mais uma
associação de defesa dos projectos adiados. E como sabemos não há graveto para
associações, fundações ou arredores equiparados. Sejam responsáveis!
segunda-feira, 20 de maio de 2013
dia não sei quantos 319: o mundo não está feito
Acordei assim e acordei assado, depois abri as persianas e
fiquei em banho-maria. Deu-me para ler enquanto aquecia a água para o chá,
recordei Hemingway em “O velho e o mar”, o homem
não foi feito para a derrota, pode ser destroçado, mas não derrotado, estava
a ler outras merdas mas lembrei-me de imediato de Primo Levi, e a páginas
tantas escrevi qualquer coisa no caderninho vermelho. Lerpei o chá verde e
fui-me a uma torrada em pão de ontem daqueles pães à la minute, ainda não vi o caralho dos golos de ontem do Sporting –
terei pensado, enquanto me arrastava nem derrotado nem despedaçado, algo de
intermédio, pilar da ponte de tédio (deixa passar Mário). Entretanto
acabei a limpeza da casota, duchei, agora acho que vou latir para outra
freguesia, nem tanto ao mar nem tanto à terra.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
dia não sei quantos 312: a curva opulenta dos sentidos [risinhos]
…Tivemos que modificar o conteúdo desta posta já com a
vertigem da última hora. Não explico. Isto é, o Cão esqueceu aquele início enigmático
sentido por volta das dez horas e picos da manhã, o mesmo início enigmático que
ele julgou que se recordaria mais tarde, isto após uma transumância de
pensamentos, após o desenjoo e da corrida com fôlego de passeata, da volta da
ida, da ladeira, o Cão saberia com certeza dar a devida sequência àquela ideia. Sucede que o Cão não se recorda
nem vagamente da puta da ideia, da coisa, da cena, teria sonhado? Para
mantermos o nível das postas, tivemos que recorrer ao George Steiner que escreveu:
se fitarmos o medonho com demasiada insistência,
acabamos por nos sentir insolitamente atraídos pelo medonho. Obviamente que
isto serve para outros fitos e outras observações (deixem passar), mas o título
do ensaio é lindo em qualquer lado, chama-se “No castelo do Barba Azul –
algumas notas para a redefinição da cultura”. Estamos salvos.
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