Imaginai que é segunda-feira. Um tipo acorda sem despertador. Logo a
seguir dá por si a manobrar os pensamentos, levanta-se, lava a cara e injecta
um pequeno-almoço rápido, seguindo-se-lhe um ligeiro devaneio, e já está sentado ao
computador. Parece que tem coisas que fazer, coisas que foi adiando para encher
os dias, e agora parece que tem um plano e um projecto, plano e projecto misturam-se
nesse momento, academia e trabalho misturam-se. Dali a pouco até sai da casa,
vai direito ao projecto (ou será ao plano?), com a mona quase vergada ao sol,
pensando no correio electrónico que enviou, pensando num tal jantar que, em
princípio, esta semana não poderá escapar, pensando no que eventualmente dirá
nesse jantar. Pensará no plano, ou melhor falará do plano, ou do caralho do
projecto? É que não quer pôr o carro à frente dos bois. Vai pensando no plano
ou no que dirá, e chega ao destino, dizem-lhe para não ter pressa, que é
preciso isto e aquilo, mas que reunião agora só lá para Setembro. Ele sorri,
folheia o Público e depois descobre encantado “as ilhas encantadas” de Herman Melville,
cujo início é um estrato de um épico de Spencer chamado the faerie queene que começa assim: “ – isso não pode ser, – disse
então o barqueiro – / A menos que insanamente nos queiramos perder; / Pois
aquelas mesmas ilhas, que soem por vezes parecer,/ Não são terra firme, nem nenhum
lugar verdadeiro, (…)”. E depois o Melville: “Imaginai vinte e cinco montes de
cinza”…
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
dia não sei quantos 16: habilitações
Outra vez sexta-feira. Projectos novos/velhos se avizinham…para a semana.
As “tentativas” de emprego são isso mesmo, “tentativas”, somas de serviços mínimos,
formas de aplacar uma pretensa ira dos deuses da burocracia. E assim são vistos
por todos, sem excepção, um protocolo pouco versátil, a juntar à fiscalização
quinzenal. Na televisão, uma geógrafa afirma que apenas foi chamada, no decurso
de um ano, uma vez pelo centro de desemprego. Quando se apresentou no putativo
cenário de trabalho, o lugar já estava preenchido e era para uma cena qualquer de
aulas de espanhol, pormenor para o qual a dita nem tinha habilitações. Como escreveu
o Bataille: “A partir dessa época. Simone contraiu a mania de partir ovos com o
cu”. É na “história do olho”...para as habilitações.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Dia não sei quantos 13: o Púchkin
Não sei mesmo com estava o sol, abri a janela e fui
por ai fora, por entre o casario e um monte imaginado. Não sei mesmo como
acabou a noite, sem instigação alcoólica, tu queres ver que não desvario.
Depois a programação do dia. Listagem: poesia. Escrever uma carta de
apresentação [copiar a anterior]. Enviar
curriculum vitae para a Lusófona. Olhar o céu. Ginástica. Passear. Diz o Púchkin: Voa a
juventude gulosa/ a engolir conchas marinhas,/Gordas prisioneiras e vivas/. Eu
cá ontem comi peixe. Não sei se vale.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
dia trinta e nove: alegria breve?
E foi assim que, depois de um breve passeio, chegado finalmente a casa, ainda atordoado sabe-se lá bem porquê, recebi um estranho telefonema e, pouco depois, abrindo um livro novo lia-se logo na página inicial que era a oito: “Esperou um momento, como se reflectisse sobre alguma coisa, sem dúvida bastante irrelevante, depois premiu o botão da campainha eléctrica e chegou alguém para lhe abrir a porta, a criada ao que tudo indicava. «Sou o novo empregado», disse Joseph, pois era assim que se chamava”. Fechei o livro “O Ajudante” de Robert Walser, e saindo pela porta para o terraço, ou pátio, fiquei especado à espera.
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