[até já]
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
dia não sei quantos 105: a grande ilusão
Levantar cedo e dizer: aqui vou eu. Quer dizer, melhor, já
não será propriamente cedo, certo seria, acordar cedo, ficar na cama a pensar
na bezerra, levantar-se, com tudo o que isso implica, e dizer: aqui vou eu. Depois (d)o desenjoo, claro está, um chá.
sábado, 13 de outubro de 2012
dia não sei quantos 100: pequeno-almoço de campeões
Um dia desses dias, escreveu assim Borges: “A meta é o esquecimento./ Eu
cheguei antes”, e apercebo-me que penso nisso há, pelo menos, dezassete horas,
isto é, mil e vinte minutos, isto é, sessenta e um mil e duzentos segundos, isto
de cabeça, ou isso, o que é muito, observado nesses termos, esta cena do tempo
é mesmo marada, e depois o poema, claro, claro, o poema cujo título Um poeta menor faz parte de A rosa profunda. Agora vou tomar o pequeno-almoço.
E ao mesmo tempo penso nisto.
[vou ter que reler]
terça-feira, 25 de setembro de 2012
dia não sei quantos 82: [o Sporting entre] um épico camoniano ou a farsa de Sá Leão Pinto[?]
Acordei cedo, a pensar que estava a sonhar e estava, depois adormeci, ou
isto foi ontem, já não sei bem, de qualquer modo, já cá faltava um pingo de
felicidade testosterónica para além da compreensível felicidade testosterónica
matinal, como é óbvio. A testosterona, neste caso, noutros não se sabe,
resultou de um contraciclo nocturno metamorfoseado na vitória épica do Sporting
e do Sá Leão Pinto [lá está a testosterona, outra vez] e dos seus jogadores
mais o Paulinho Leão Pinto e arredores do banco de suplentes. Parece que o Sá
andou a ler poemas épicos, ou sagas escandinavas, ou mesmo o Walt corpo Whitman
naquela cena do “Ímpeto, Ímpeto, Ímpeto,/ sempre o ímpeto procriador do mundo”,
embora o Walt corpo Whitman seja de outras testosteronas, mas como sabem “é inútil
pormenorizar, os cultos e os incultos sabem que assim é”, pois apenas dessa
forma se pode ganhar a uma equipa chamada Gil Vicente, cuja representação
consiste em representar [fazer de conta] que joga futebol, utilizando partes do
corpo estranhas ao ofício, como o nariz, com desfechos efectivos de golo, sem
os quais todas as farsas e mesmo todos os autos vão por água abaixo.
Tás lá Sá Pinto, caso contrário, como diz a Lianor [na farsa de Inês Pereira]:
“dai isso por esquecido,/E buscai outra guarida.”
autógrafo de Gil Vicente
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
dia não sei quantos 55: isto assim vai bem
Alvorada perto das 12h. Pequeno-almoço. Sem percalços a registar.
[dor de cabeça baby]
[dor de cabeça baby]
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
dia não sei quantos 36: pormenores lá mais para a frente
Abrir a pestana: escuro. O fascínio vem mais tarde, entretanto, o cérebro decide-se por uma resenha rápida de coisas mais ou menos delineadas nos últimos dias, esboços de projectos, ritmos novos, rumores murmurados, o corpo a bater palmas a mando do cérebro, palavras assim: NOSCE TE IPSUM, VINCE TE IPSUM. Depois casa de banho, ala que não se faz tarde, por estes dias nunca se faz tarde.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
dia não sei quantos 35: parábola e fragmento
Um tipo acorda e já está a ouvir coisas sobre indicadores económicos e
índices galopantes de qualquer coisa, como se isso fizesse parte das nossas
necessidades mais imediatas, já para não falar no invólucro de normalidade onde
nos são apresentadas, avulso ou por grosso, como outra merda qualquer. E eu que
tinha umas listas para organizar, coisas para o dia, coisas mais simbólicas, e
depois uma lista de livros e discos para ouvir, para comprar a coisa terá que
ser revestida e colorida com empurrões e dinâmicas de rotação e translação.
Tipos morreram na fogueira por pensamentos e livros bem mais inócuos,
emociono-me por momentos, é sempre assim com tipos que morreram na fogueira por
lerem ou escreverem merdas, e ainda hoje há tipos a morrerem em fogueiras reais
e alegóricas, tipos e tipas perseguidos por dá cá aquela palha, gente com medo,
ou borrada de medo, gente corajosa de medo, parece mesmo que o Kafka tinha
razão, deixa ver se percebo: “Só existe um destino, nenhum caminho. Aquilo a
que chamamos caminho é hesitação”. Entretanto, fui correr.
domingo, 15 de julho de 2012
dia não sei quantos 17, acho: o estigma e a esfinge gorda
Acordar é sempre bom sinal. Não que carecesse de uma forcinha para
vomitar, mas ajuda sempre ler o Rui Ramos no Expresso [entre outros]. Nem
sempre estou de acordo com o Mário de Sá Carneiro quando este nos recorda que “a própria maravilha tinha cor!”, e além-tédio, lá está, não se pode ter tudo.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
dia não sei quantos 5: tu és um cavalo de corrida…
Foi logo a correr. Os classificados estão tão merdosos que metem dó. Os
do correio da Manhã são indicados para semear a discórdia entre as famílias (já
para não falar do putedo) e os do Expresso são um panfleto sórdido para gurus
de não sei o quê…gosto dos do Record e o JN lá do Norte traz tantos empregos como
o velho Calinas. Carrego um formulário às costas, enquanto penso naquela cena
que deu na SIC, uma merda qualquer sobre a imagem, e o aluguer de roupas para
entrevistas de emprego. Só visto. Tirei logo o boné e fui bater num puto que
estava por perto, bem mais pequeno do que eu. Às vezes temos que bater em
alguém. É sempre a correr…
domingo, 1 de julho de 2012
dia não sei quantos 4: vai buscar
Ao domingo é mais fácil. Não acordar cedo e cedo não
erguer, preocupações a espaços siderais. Mas não é bem assim, coisas que
germinam vá-se lá saber porquê, e baseadas em quê acabam por contaminar cada um
destes momentos de infortúnio e alguma tristeza. Depois a indisposição matinal
faz o resto. Vai buscar cão...
sábado, 30 de junho de 2012
Dia não sei quantos 3: Sábado
Acordar a pensar na mija, não na vida, e não conseguir voltar a dormir.
Tudo isto é parte de um procedimento insólito e irredutível. O que pressupõe
uma evolução ou involução. A loucura. Entretanto vou ali ler qualquer coisa…
domingo, 24 de janeiro de 2010
dia sessenta e tal, vá, sessenta e um
Logo pela manhã, quase manhãzinha, em virtude de ter sido acordado por obras domingueiras de um vizinho, não que sejam necessárias obras, basta os gajos e as gajas estarem em cavaqueira dominical para um tipo não poder dormir; vai daí, com rosca ao pequeno almoço decidi-me por leituras com pouca ressaca (eu já nem ressacas consigo ter), e para além de um suplemento antigo, recomecei a papar uma cena do Alberto Manguel, em registo diário, chamado, pois claro, “Um Diário de Leituras”, onde a páginas tantas li uma cena do Borges que obviamente já havia lido num conto: “Os espelhos e o acasalamento são abomináveis, porque multiplicam o número de homens”. Esta manhã de domingo prova-o.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
dia trinta e três: náufrago
Que noite, fiiuu, como se lê nos romances do Dostoiéwski, ou será como se diz?, mas adiante, que noite, que funduras, o corpo a manifestar-se independentemente da minha vontade, e por partes, o cabrão, cada uma delas autónoma e sorrateira, mas estabelecendo combinações, dir-se-ia, de forma aleatória, mas capazes de subjugar qualquer tentativa de não perturbar ninguém num raio de 150 metros. A natureza é fodida. Mais tarde, na baixa mar, dei à costa, entre penedos com saudades de mexilhões, numa praia mesmo assim quase sem areia, e percebi, se percebi, que tudo aquilo que escutamos durante a merda dos dias, por exemplo, na televisão, ou nos livros, e até mesmo naquelas conversas inimputáveis à razão, podem ser usados contra nós nos sonhos ou naquelas planícies de vigília indistinguíveis daqueles. Quando dei à costa, alguns livros de aventuras, e aquela treta do aquecimento geral, perdão, global, da terra, já lá estavam, às minhas custas, mesmo sabendo-se, também ouvi qualquer coisa sobre o assunto, que caminhamos para uma glaciação. Esta noite foi a prova disso.
[ps: coisas podem acontecer durante o dia relativas a novas comissões de serviço]
[ps: coisas podem acontecer durante o dia relativas a novas comissões de serviço]
sábado, 12 de dezembro de 2009
dia trinta: de manhã
Acordei bem. Ontem é que acordei sem saber em que raio de rua ficava o Canadá. Hoje acordei bem, mas não me recordo de nenhum sonho embora saiba muito bem que me fartei de sonhar e sonhar, e até já estava naquela fase de agarrar o sonho, sabendo perfeitamente que estava a sonhar e deixava-me ir, segundo creio, mas não me recordo de nada e não está por aqui a Mariana, a filha do ferrador no Amor de Perdição para ter pressentimentos e reconhecer presságios. Bem, depois não me restava alternativa, senão levantar a peida, dar de comer aos animais e preparar a limpeza da casota. Meti logo um disco antigo dos Young Gods.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
dia vinte e quatro: 25% de um sonho
Hoje tive um sonho em que encontro um amigo meu num bar, um amigo que já não via há muito tempo, estávamos sentados lado a lado e eu não o reconheci logo. Depois bebermos e conversamos. Mais tarde, chegado ao (mesmo?) bar, por caminhos insondáveis que só me fazem evocar o Metropólis do Fritz Lang, e cenas do Giger, esperava-me um sujeito também ele conhecido, acho eu, que de repente se me dirige e diz “estava mesmo à tua espera, vamos lá mudar o tubo”. Esta cena tem mesmo cenário concreto na minha vida irreal, e eu respondi, meio surpreso, que por dez euros ainda podia ser, já a contar com o material, mas ele avançou 25 euros, ou nada feito, e estava-se mesmo a ver que não esperava uma nega, mas eu lá disse que 25 euros, dada a conjuntura actual seria muita massa, mas “amigos na mesma”, e o gajo já de costas, de costas, disse “amigos o caralho”. Nesta altura o cenário era indescritível.
sábado, 5 de dezembro de 2009
dia vinte e três
Acordar: 9h45m;
Levantar (ir buscar pão): 10h15m;
Se não fosse um desses sábados tresmalhados este teria sido record pessoal nacional do ano.
[ps: ainda chuva; Tchaikovsky avulso na rádio]
Levantar (ir buscar pão): 10h15m;
Se não fosse um desses sábados tresmalhados este teria sido record pessoal nacional do ano.
[ps: ainda chuva; Tchaikovsky avulso na rádio]
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
dia quinze: acordar
Ainda há pouco acordei e já estava, já estava para ficar deitado na cama a olhar a chuva pela janela, esperando a gamela com um livro, como será possível?, do Shakespeare, note-se, do Shakespeare, logo pela manhã, e logo numa sexta-feira, aquele dia em que se começa a projectar mudanças, em que corpo e cabeça se enlevam de ideia e projectos a começar na …próxima semana.
Mudanças súbitas de humor. Dores de estômago. Terá sido da Laranja Mecânica?
[Ps: ontem não atendi uma chamada com número privado. Seria mais uma entrevista?:
Açougue? Porteiro? Diferenciados?....]
Mudanças súbitas de humor. Dores de estômago. Terá sido da Laranja Mecânica?
[Ps: ontem não atendi uma chamada com número privado. Seria mais uma entrevista?:
Açougue? Porteiro? Diferenciados?....]
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